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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Federação espanhola banca congelamento de óvulos para atletas

Benefício cobre também FIV, árbitras e funcionárias, mas especialistas alertam para o risco de pressão indireta para adiar a maternidade.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Chuteiras e camisa de futebol em primeiro plano, com uma sala de consulta ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Chuteiras e camisa de futebol em primeiro plano, com uma sala de consulta ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A Real Federação Espanhola de Futebol vai pagar tratamentos de reprodução assistida, incluindo congelamento de óvulos e fertilização in vitro, para atletas da seleção principal e do futsal, árbitras e funcionárias. Especialistas alertam que a iniciativa pode pressionar mulheres a adiar a maternidade e lembram que os procedimentos não garantem uma gravidez.

A Real Federação Espanhola de Futebol vai custear procedimentos de reprodução assistida para jogadoras da seleção principal e do futsal, além de árbitras e funcionárias da entidade. A iniciativa inclui congelamento de óvulos e fertilização in vitro (FIV), e foi apresentada como uma forma de ampliar o acesso a informações e opções reprodutivas.

O programa prevê o pagamento integral dos tratamentos e orientação sobre as alternativas disponíveis. A federação afirma que a iniciativa busca permitir que as profissionais conheçam e atendam às suas necessidades durante a idade fértil, enquanto atuam no esporte de alto rendimento.

A oferta, porém, levantou questionamentos de especialistas em bioética. Eles alertam que um benefício desse tipo pode gerar pressão indireta para que mulheres adiem a maternidade em favor da carreira. O risco apontado é que uma tecnologia criada para ampliar escolhas passe a ser entendida como expectativa profissional, transferindo às mulheres a responsabilidade de adaptar o planejamento familiar às exigências do trabalho.

O congelamento de óvulos preserva células reprodutivas para uma possível tentativa de gravidez futura, mas não garante o nascimento de uma criança. As chances dependem, entre outros fatores, da idade da mulher quando os óvulos são coletados. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência de saúde dos Estados Unidos, indicam que a taxa de nascimento por ciclo com óvulos próprios cai de 22,6% entre mulheres de 38 a 40 anos para 11% entre 41 e 42 anos, chegando a 4,5% após os 42.

A fertilização in vitro é um tratamento em que a fecundação ocorre em laboratório, com posterior transferência do embrião ao útero. Como no congelamento de óvulos, o procedimento não elimina os limites biológicos associados à idade nem assegura uma gravidez bem-sucedida.

Esse tipo de benefício também é oferecido por empresas. Nos Estados Unidos, cerca de 15% das companhias com mais de 500 funcionários incluem cobertura para congelamento de óvulos em planos de saúde. No Brasil, Microsoft, LinkedIn e Mercado Livre estão entre as empresas que adotaram iniciativas semelhantes.

Estudos sobre benefícios corporativos indicam que a cobertura do congelamento pode ser interpretada por trabalhadores como um sinal de valorização da carreira em detrimento da vida pessoal. Especialistas defendem que, para ampliar a autonomia, a oferta deve vir acompanhada de informação sobre riscos e limitações, sem pressão para adesão e junto a políticas que apoiem a maternidade, como creches e licenças adequadas.

Fontes: Gazeta do Povo

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