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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Estudantes franceses mantêm protestos contra falta de professores

O governo mobilizará cerca de 3 mil docentes, mas sindicatos consideram insuficiente a medida e convocaram uma nova greve escolar nacional para terça-feira.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Estudantes protestam do lado de fora de uma escola na França. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Estudantes protestam do lado de fora de uma escola na França.
Resumo em 30 segundos

Após três semanas de mobilização, 141 escolas seguem fechadas e protestos chegaram a universidades de Paris. O governo anunciou que mobilizará cerca de 3 mil professores qualificados para escolas com maior falta de profissionais. Sindicatos dizem que a iniciativa não basta e convocaram nova greve escolar nacional para terça-feira.

Estudantes franceses prometeram manter os protestos após o governo anunciar, nesta sexta-feira, que mobilizará cerca de 3 mil professores para reduzir a falta de profissionais nas escolas. A mobilização, iniciada há três semanas, mantém 141 escolas fechadas e se espalha por universidades de Paris, enquanto sindicatos convocaram uma nova greve escolar nacional para terça-feira.

O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que o ministério está contatando com urgência os professores qualificados que ainda não começaram a trabalhar. Eles poderão ser encaminhados a escolas com maior necessidade de pessoal, muitas delas em áreas de baixa renda. O governo chamou a iniciativa de plano de emergência; a medida tem efeito imediato e custará várias dezenas de milhões de euros, segundo Geffray.

Os sindicatos consideram o anúncio uma primeira vitória, mas dizem que ele não é suficiente para encerrar as manifestações. Marius Mesnil, de um sindicato de estudantes do ensino médio, afirmou à Franceinfo que a decisão mostra que a continuidade dos protestos pode produzir resultados. Ele também criticou a necessidade de bloquear escolas para obter um plano de reposição de vagas.

Os bloqueios atingiram instituições de ensino superior na capital. A polícia desfez uma ocupação na Universidade Assas, uma das principais faculdades de Direito do país, e atividades da Mines Paris, referência em engenharia, foram afetadas. O Institut Catholique anunciou que passaria a oferecer aulas remotas após um bloqueio em seu campus.

Durante visita a uma escola da região de Paris que foi depredada nos protestos, Geffray informou que mais de 100 profissionais da educação ficaram feridos nas manifestações realizadas pelo país. Na quinta-feira, 71.500 pessoas participaram de atos em Paris e em outras regiões, de acordo com o Ministério do Interior. A maioria foi pacífica, embora tenham ocorrido episódios de violência em alguns locais.

A mobilização reflete a insatisfação de estudantes e professores com a falta de docentes e com cortes de gastos associados à crise orçamentária. Dados do Ministério da Educação indicam que quase 10% das horas de aula nas escolas públicas de ensino médio ficam sem professor. Especialistas citados no debate afirmam que a saída de famílias de maior renda para escolas particulares pode ampliar a desigualdade social.

O governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta a pressão por mais recursos para a educação ao mesmo tempo que tenta conter a dívida pública. O debate ocorre em meio a despesas previdenciárias elevadas e à necessidade de restringir os gastos, fatores que limitam a margem para novos investimentos. O presidente da Euronext, Stéphane Boujnah, defendeu que o país tome decisões difíceis e sugeriu reduzir gastos com aposentadorias para ampliar recursos destinados aos jovens.

Os protestos também inspiraram manifestações estudantis na Bélgica. Em Bruxelas, milhares de pessoas marcharam junto a trabalhadores em greve; houve confrontos em alguns momentos, e a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água. Na França, a nova paralisação convocada para terça-feira deverá manter a pressão sobre o governo por respostas à falta de profissionais nas escolas.

Fontes: Valor Econômico

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