Erika Hilton pode sair do PSOL e ir para o PT em 2027
A deputada diz que ainda não decidiu e que não avançou nas conversas com os dois partidos; a mudança depende de um entendimento com o PSOL.
Resumo em 30 segundos
Erika Hilton afirma que pode deixar o PSOL e ingressar no PT em 2027, mas diz que ainda não tomou uma decisão nem iniciou conversas com a direção do partido. Ela critica a estratégia eleitoral do PSOL, a recusa à federação com o PT e a distribuição de recursos para candidaturas. A deputada pretende discutir os pontos antes de decidir se fica na legenda.
Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que pode deixar o partido em 2027 e ingressar no PT, mas disse que ainda não iniciou conversas com a direção do PSOL nem avançou nas tratativas com os petistas. A deputada federal, reeleita em 2026 com 1,5 milhão de votos, atribuiu a possibilidade a divergências sobre a estratégia eleitoral e o financiamento de candidaturas da legenda.
Hilton disse que já conversou com alguns partidos, entre eles o PT, e que foi procurada por outras siglas. Ela afirmou que só decidirá sobre uma mudança depois de avaliar se consegue chegar a um entendimento com o PSOL. “Acho que mudaria de partido se necessário fosse”, declarou.
A parlamentar considera possível que a troca ocorra em 2027, mas ressaltou que não há decisão tomada. “Ainda não fiz nenhuma conversa com o PSOL nem avancei as minhas conversas com o próprio PT”, afirmou. Segundo ela, o diálogo com os dois partidos ainda precisa definir os próximos passos.
A discussão ocorre após o PSOL não alcançar a cláusula de barreira nas eleições. Essa regra estabelece requisitos mínimos de votação nacional ou de representação parlamentar para que partidos tenham acesso a recursos públicos e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita. Hilton disse que o resultado exige que a sigla avalie como se fortalecer para continuar atuando.
A deputada classificou como erro estratégico a decisão de não formar uma federação com o PT. Na avaliação dela, a aliança teria ampliado a presença do PSOL em estados onde a direita e a extrema direita têm força e ajudado a legenda a cumprir a cláusula de barreira. A proposta dividiu integrantes do partido, mas Hilton afirmou que não houve um racha: segundo ela, os grupos tinham interpretações diferentes e o lado contrário à federação venceu a disputa interna.
Além da decisão sobre a federação, Hilton criticou a distribuição de recursos partidários e eleitorais. Disse que o PSOL destinou valores altos a candidaturas com baixo potencial de votação e deixou de apoiar nomes que, na avaliação dela, poderiam fortalecer a legenda. Como exemplo, citou a campanha de Sofia Favero, candidata a deputada estadual em São Paulo, que recebeu, segundo Hilton, pouco financiamento.
A parlamentar afirmou que candidaturas com potencial eleitoral em São Paulo e em outros estados deveriam ter recebido mais apoio. Para ela, a subestimação de quadros importantes e a falta de recursos prejudicaram o desempenho do partido. Hilton disse que pretende discutir esses pontos com a sigla antes de decidir se permanece nela.
Eleita a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados em 2026 e a terceira colocada no ranking geral, Hilton atribuiu o resultado ao alcance de suas pautas e à presença nas redes sociais. Ela citou propostas relacionadas ao fim da escala 6x1, à pesquisa “Mulheres na Ciência”, ao meio ambiente, à proteção de crianças e adolescentes e à violência contra a mulher.
A deputada também avaliou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia ter divulgado mais os feitos do governo e usado com maior intensidade a imagem do candidato. Disse que vídeos em formato de selfie já começaram a ser publicados e considerou que esse tipo de conteúdo ajuda a aproximar o presidente dos eleitores. Para o segundo turno, defendeu que a campanha alerte mais sobre o que considera os riscos de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Sobre a composição do Congresso eleito, Hilton afirmou que espera uma legislatura mais difícil do que a anterior. Ela disse que o resultado da eleição presidencial também poderá influenciar a posição de parlamentares de centro. A deputada manifestou expectativa de que o debate sobre o fim da escala 6x1 avance, mas avaliou que as chances diminuem se a tramitação ficar para depois do segundo turno.
Hilton disse ainda que recebeu uma ameaça de morte por e-mail no dia do primeiro turno e que não consegue contabilizar quantas ameaças já sofreu. Relatou viver sob proteção permanente, com escolta e carro blindado, e afirmou que já precisou mudar de endereço. A deputada foi eleita vereadora mais votada de São Paulo em 2020 e chegou à Câmara dos Deputados em 2022.
Para entender
- Cláusula de barreira
- Regra que exige dos partidos um desempenho mínimo nas eleições para que tenham acesso a recursos públicos e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita. Os requisitos podem ser cumpridos por votação nacional ou por representação parlamentar.