Elon Musk divide liderança de projeto do Pentágono sobre guerra
Elon Musk dividirá a liderança do Projeto Meridian, iniciativa do Pentágono sobre o futuro da guerra, anunciada na quarta-feira em Quantico.
Resumo em 30 segundos
Elon Musk dividirá com o cofundador da Anduril Industries e Newt Gingrich a liderança do Projeto Meridian, iniciativa do Pentágono para estudar o futuro da guerra. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que as conclusões devem sair em até 120 dias. A nomeação ocorre após a reaproximação de Musk com Donald Trump.
Elon Musk voltará a exercer uma função no governo dos Estados Unidos como assessor do Projeto Meridian, iniciativa do Pentágono voltada ao estudo do futuro da guerra. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou o projeto na quarta-feira, durante um pronunciamento na base militar de Quantico, na Virgínia.
Musk dividirá a liderança com o cofundador da empresa de defesa Anduril Industries e com Newt Gingrich, ex-presidente republicano da Câmara dos Representantes. Hegseth afirmou que o grupo vai avaliar áreas que os Estados Unidos devem dominar e capacidades que precisam aperfeiçoar. As conclusões devem ser entregues em até 120 dias.
Segundo o secretário, o projeto reunirá líderes do setor privado escolhidos pessoalmente, além de especialistas em inovação, pesquisa acadêmica e políticas públicas. Hegseth descreveu a iniciativa como um esforço conduzido por especialistas para examinar cenários futuros de conflito.
Empresas de Musk já têm contratos e acordos com o Departamento de Defesa. A SpaceX está construindo redes de satélites para o sistema de defesa antimísseis Golden Dome, anunciado pelo presidente Donald Trump. A empresa de inteligência artificial xAI firmou neste ano um acordo que permite o uso do chatbot Grok pelos militares em sistemas sigilosos.
A nomeação marca uma reaproximação entre Musk e a administração Trump, depois de um rompimento público. O empresário comandou brevemente o Doge, iniciativa criada para promover cortes de gastos no governo federal, e deixou o governo em maio de 2025, após divergências com Trump sobre um projeto de gastos. Musk criticou a proposta, sobretudo seus dispositivos tributários, e disse que ela poderia “levar os EUA à falência”.
Trump afirmou na época que a reação de Musk tinha relação com o corte de incentivos à indústria de carros elétricos, medida que afetou as ações da Tesla. Desde então, os dois retomaram a relação, e Musk voltou a frequentar a Casa Branca, embora com menor exposição do que durante sua passagem anterior pelo governo.
Na terça-feira, Musk participou de um almoço com Trump e executivos de inteligência artificial. No encontro, assinou com outros líderes de tecnologia um acordo voluntário de segurança em IA, que o presidente descreveu como “moralmente vinculativo”. Musk também esteve no jantar de Estado oferecido ao presidente chinês Xi Jinping e, em maio, integrou a delegação empresarial que viajou a Pequim com Trump.
O empresário voltou ainda a contribuir para causas republicanas. Após investir mais de US$ 250 milhões para apoiar Trump e outros republicanos nas eleições de 2024, destinou pelo menos US$ 90 milhões às eleições de meio de mandato de novembro, segundo registros da Comissão Eleitoral Federal.
Quem é quem
- Elon Musk
- Empresário e investidor de tecnologia, associado a empresas como SpaceX, Tesla e xAI. Também participou de iniciativas políticas nos Estados Unidos e teve uma breve função ligada ao governo de Donald Trump antes de deixar o cargo em 2025.
- Pentágono
- Sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Arlington, Virgínia. A instituição coordena as Forças Armadas do país e conduz políticas de defesa, planejamento militar e desenvolvimento de capacidades estratégicas.
- Anduril Industries
- Empresa norte-americana do setor de defesa, cofundada por Palmer Luckey e especializada no desenvolvimento de sistemas e tecnologias militares, incluindo soluções autônomas.