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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Elias 2-24b é o exoplaneta mais jovem já registrado

Com menos de 1 milhão de anos, o planeta bebê fica a cerca de 450 anos-luz e pode ajudar a esclarecer como mundos gigantes se formam.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Representação realista de um planeta jovem em formação dentro de um disco de poeira ao redor de uma estrela. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Representação realista de um planeta jovem em formação dentro de um disco de poeira ao redor de uma estrela.
Resumo em 30 segundos

Pesquisadores identificaram Elias 2-24b, um exoplaneta com menos de 1 milhão de anos, que orbita sua estrela a 55 unidades astronômicas. A descoberta, publicada no The Astrophysical Journal Letters, sugere que planetas gigantes podem se formar mais rapidamente do que indicam os modelos atuais. A equipe pretende buscar outros mundos jovens com o telescópio Nancy Grace Roman.

Pesquisadores identificaram Elias 2-24b, um exoplaneta com menos de 1 milhão de anos, o mais jovem já registrado. Ele orbita a estrela Elias 2-24, a cerca de 450 anos-luz da Terra, e oferece uma oportunidade rara de observar um planeta ainda em formação. A descoberta foi feita por cientistas da Universidade Diego Portales, no Chile, e publicada no mês passado na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

Elias 2-24b está a 55 unidades astronômicas de sua estrela. Uma unidade astronômica corresponde à distância média entre a Terra e o Sol. Os pesquisadores estimam que o planeta tenha entre 1,9 e 4 vezes a massa de Júpiter, embora seu volume possa ser menor.

Até essa descoberta, os exoplanetas mais jovens conhecidos tinham mais de 5 milhões de anos. Dois orbitam a estrela PDS 70 e outros dois ficam nas proximidades de WISPIT 2. Em comparação, os planetas do Sistema Solar têm cerca de 4,6 bilhões de anos.

A idade de Elias 2-24b desafia os modelos de formação planetária, que descrevem como planetas se desenvolvem a partir do material ao redor de estrelas jovens. O estudo aponta que o planeta pode ter surgido por acreção de núcleo: nesse processo, um núcleo sólido acumula material e, ao crescer, atrai gases do disco que envolve a estrela. A formação de um planeta gigante em menos de 1 milhão de anos sugere que esse mecanismo pode ocorrer mais rapidamente do que se estimava.

“Nossos modelos de formação planetária já tinham dificuldades para explicar os recordistas anteriores de planeta mais jovem conhecido. Elias 2-24b nos mostra que mesmo nossos melhores modelos de formação planetária ainda deixam de explicar alguns processos importantes”, afirmou Lucas Cieza, coautor do estudo.

A equipe pretende procurar outros planetas jovens com o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA. O equipamento foi lançado em agosto e conta com um coronógrafo, instrumento que bloqueia parte da luz de uma estrela para facilitar a observação de objetos próximos, como planetas. Com ele, os cientistas esperam detectar mundos em órbitas menores, que são mais difíceis de observar com instrumentos anteriores.

A confirmação de Elias 2-24b também contou com dados do Observatório Keck. O líder da equipe, Andrea Bernardi, afirmou que o planeta está no limite do que os telescópios atuais conseguem detectar e que novos instrumentos devem facilitar a identificação de casos semelhantes.

Para entender

Acreção de núcleo
Modelo de formação planetária em que um núcleo sólido se acumula e, ao crescer, atrai gases do disco de material que circunda uma estrela jovem. É uma das explicações possíveis para a formação de planetas gigantes.
Coronógrafo
Instrumento que bloqueia parte da luz de uma estrela para facilitar a observação de objetos próximos, como planetas. Essa técnica ajuda a detectar mundos que, de outro modo, seriam ofuscados pelo brilho estelar.

Fontes: Estadão

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