Eduardo Bolsonaro propõe Escudo das Américas em governo de Flávio
Eduardo Bolsonaro afirmou que poderia atuar na política externa de um eventual governo de Flávio, mas a campanha do senador diz que ele não fala pelo candidato.
Resumo em 30 segundos
Eduardo Bolsonaro apresentou propostas para a política externa de um eventual governo do irmão, Flávio, incluindo transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém e aderir ao Escudo das Américas. A campanha do senador diz que Eduardo não fala por ele. O ex-deputado também criticou o Itamaraty e acusou um diplomata, que negou ter disponibilizado carro oficial a Lulinha.
Eduardo Bolsonaro afirmou que pode ter papel central na política externa de um eventual governo do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e apresentou propostas para as relações exteriores em vídeo publicado na quarta-feira (30) em seu canal no YouTube. A campanha de Flávio declarou que Eduardo não fala pelo candidato, que ainda não anunciou nomes para um possível ministério.
No vídeo, o ex-deputado nega que esteja dizendo que será ministro das Relações Exteriores. Em seguida, afirma que a escolha cabe ao presidente e argumenta que sua capacidade de conversar com autoridades e de estabelecer contatos pode ser relevante. “Eu consigo falar com diversas autoridades, consigo me mexer”, disse.
Eduardo citou uma possível aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo ele, essa interlocução poderia ajudar a colocar o Brasil em posição de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos narcoterroristas. Ele também mencionou encontros de Flávio com líderes de outros países e uma conversa por vídeo com Abelardo de la Espriella, da Colômbia.
Entre as propostas apresentadas, Eduardo afirmou que um governo de Flávio transferiria a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e incluiria o Brasil no Escudo das Américas, aliança de cooperação em segurança criada por Trump e formada por países latino-americanos governados pela direita. O ex-deputado também defendeu que o Brasil retome participação em fóruns voltados ao combate ao antissemitismo e à memória do Holocausto.
A mudança da embaixada para Jerusalém foi anunciada por Jair Bolsonaro em 2019, quando era presidente, mas não foi realizada. A situação da cidade é objeto de disputa entre israelenses e palestinos, que reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino. Nas discussões da Organização das Nações Unidas (ONU), o status de Jerusalém é relacionado ao resultado das negociações para uma solução de dois Estados.
Eduardo mencionou ainda a disputa pelo Saara Ocidental, as colinas de Golã e a cooperação com governos de países da América Latina em temas de segurança. Ele criticou a atuação diplomática em fóruns internacionais e comparou debates sobre aquecimento global a discussões sobre “o sexo dos anjos”. Também afirmou que o Brasil deveria usar sua condição de aliado extra-Otan, referência à Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A maior parte do vídeo foi dedicada a críticas ao Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, e a diplomatas. Eduardo acusou o embaixador Orlando Leite Ribeiro de ter disponibilizado um carro oficial para ajudar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois que ele se mudou para a Espanha em 2025. Ribeiro negou ter colocado o veículo à disposição.
O diplomata afirmou que o apoio da embaixada se limitou ao trabalho regular do setor educacional. Segundo ele, uma funcionária acompanhou brasileiras em visitas a escolas usando o carro de serviço, enquanto outras visitas foram feitas sem a participação de funcionários ou veículos da representação. A embaixada brasileira na Espanha é chefiada atualmente por Luiz Alberto Figueiredo, não por Ribeiro.
Eduardo ameaçou retirar Ribeiro da Espanha caso tivesse influência no governo e voltou a falar em uma “faxina” no Itamaraty. Disse que avaliou a atuação de embaixadores e acusou diplomatas de terem sabotado o governo de seu pai. Também afirmou que acompanha de perto o Ministério das Relações Exteriores e que pretende cobrar mudanças numa eventual gestão de Flávio.
Em outra parte do vídeo, Eduardo relatou que não recebeu apoio de diplomatas quando se mudou para os Estados Unidos. Ribeiro, por sua vez, afirmou que servidores do Itamaraty atuam com lealdade, dedicação e profissionalismo sob diferentes governos e que uma das funções das embaixadas é prestar apoio a brasileiros no exterior, dentro de suas atribuições e possibilidades.
Quem é quem
- Eduardo Bolsonaro
- Político brasileiro filiado ao Partido Liberal (PL) e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi deputado federal por São Paulo e é irmão do senador Flávio Bolsonaro. No vídeo citado, apresentou ideias para a política externa de um eventual governo do irmão e criticou o Itamaraty.
- Flávio Bolsonaro
- Político brasileiro do Partido Liberal (PL) e senador pelo Rio de Janeiro. É filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão de Eduardo Bolsonaro. A campanha citada na notícia afirmou que Eduardo não fala em nome do senador.
- Ministério das Relações Exteriores
- Órgão do governo federal responsável pela condução das relações diplomáticas do Brasil. Também é conhecido como Itamaraty, nome associado ao palácio que abrigou a instituição no Rio de Janeiro e à sede atual em Brasília.