Dadá Figueiredo morre aos 61 anos após complicações de pneumonia
O surfista carioca levou movimentos do skate às ondas e marcou gerações; o velório será realizado nesta quarta-feira, no Cemitério do Caju.
Resumo em 30 segundos
Dadá Figueiredo morreu aos 61 anos, após complicações de uma pneumonia. Nascido no Rio, o surfista e shaper ficou conhecido por levar movimentos do skate às ondas e por sua atuação na contracultura. Foi campeão carioca em 1989 e, além de competir, trabalhou como professor e formador de surfistas.
O surfista e shaper Dadá Figueiredo morreu no último sábado, aos 61 anos, após complicações de uma pneumonia. Nascido no Rio de Janeiro, ele foi uma das figuras mais irreverentes do surfe brasileiro e ficou conhecido por levar movimentos do skate às ondas. O velório será realizado nesta quarta-feira, no Cemitério do Caju.
Dadá, cujo nome era Dávio Correia Figueiredo, começou a surfar ainda criança, na Barra da Tijuca, com uma prancha de isopor comprada pela mãe. Criado na Tijuca, longe do litoral, também andava de skate pelas ruas do Rio. Mais tarde, incorporou às manobras no mar movimentos agressivos e rabiadas associados ao skate, influenciando o estilo de surfe de outras gerações.
O surfista Rico de Souza afirmou que percebeu a originalidade de Dadá desde o primeiro encontro. Para ele, a aproximação entre o skate e o surfe trazida pelo carioca marcou a cena local. A Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro e representantes de diferentes gerações do esporte também lamentaram a morte.
Além das ondas, Dadá se destacou na contracultura. Em uma época em que predominavam no surfe as referências visuais ligadas à estética “paz e amor” e ao reggae, ele usava roupas pretas e cabelo moicano. Tocava baixo na banda de hardcore Os Normais e criou marcas alternativas como Anti-Fashion e Necrose Social.
Na carreira esportiva, terminou em 14º lugar na primeira edição do Circuito Brasileiro de Surf Profissional, em 1987. Dois anos depois, foi campeão carioca; em 1993, recebeu o título de melhor freesurfer do país. O freesurf é a prática de surfar fora das baterias de competição, com foco na liberdade de manobras e na expressão individual.
Dadá também contestou a exploração dos atletas por empresários do esporte. Em 1985, fez um protesto público durante o Staff Poll, evento de premiação do surfe brasileiro. Com o passar do tempo, criticou a rotina dos campeonatos e defendeu que a inovação estava mais presente no freesurf do que nas disputas organizadas.
A trajetória incluiu episódios difíceis. Em 1990, ele sobreviveu a um ataque em que levou 12 facadas e, anos depois, enfrentou dependência química. Mais tarde, tornou-se pastor evangélico e continuou ligado ao mar como shaper — profissional que projeta e produz pranchas — e professor. Também fundou uma escola de surfe na Barra da Tijuca.
Dadá deixa três filhos, entre eles o surfista Dávio Figueiredo. Ao comentar a carreira do filho e as mudanças no esporte, observou que o surfe havia se tornado mais profissional. Ele dizia que, no início, participava dos campeonatos sem se preocupar com resultados, porque seu principal objetivo era surfar.
Para entender
- Shaper
- É o profissional que desenha e produz pranchas de surfe. O trabalho envolve definir o formato e as características da prancha, que influenciam sua resposta na água.
- Freesurf
- É a prática do surfe fora das baterias de competição, com foco na liberdade de manobras e na expressão individual do surfista.