Clubes brasileiros encerram patrocínios de bets nas camisas
O prazo da MP das bets para retirar marcas do mercado terminou na segunda-feira, 5, após anos de presença crescente nos uniformes de clubes da Libertadores.
Resumo em 30 segundos
As casas de apostas apareceram nas camisas de finalistas brasileiros da Libertadores em todas as decisões entre 2019 e 2025. A sequência coincidiu com sete títulos brasileiros consecutivos, mas não demonstra que os patrocínios tenham causado o desempenho. Com o fim do prazo estabelecido pela MP das bets, os clubes deixam de poder exibir essas marcas nos uniformes.
A presença de casas de apostas entre os patrocinadores de clubes brasileiros cresceu junto com o domínio do país na Copa Libertadores. Entre 2019 e 2025, pelo menos um finalista brasileiro exibiu uma marca do setor em cada decisão; a partir desta terça-feira, 6, porém, os clubes deixam de poder manter essas empresas em suas camisas, após o fim do prazo para retirada do mercado previsto pela medida provisória (MP) das bets.
No século 21, equipes brasileiras disputaram 24 finais da Libertadores entre 2001 e 2025 e venceram 14. O desempenho recente foi ainda mais expressivo: de 2019 a 2025, o Brasil esteve representado em todas as decisões e conquistou os sete títulos. A coincidência entre a sequência de vitórias e o avanço dos patrocínios não demonstra, por si só, que as apostas tenham causado o sucesso esportivo.
A primeira casa de apostas a aparecer na camisa de um finalista brasileiro foi a Sportsbet.io, no uniforme do Flamengo em 2019. O contrato começou em julho daquele ano, inicialmente limitado a ações digitais, e foi ampliado em outubro para incluir a camisa. O acordo previa R$ 7 milhões por temporada, por dois anos, além de bônus por desempenho.
A presença se repetiu nas finais seguintes. O Santos chegou à decisão de 2020 com a Casa de Apostas no uniforme, e o Flamengo voltou a exibir a Sportsbet.io em 2021. Em 2022, pela primeira vez, os dois finalistas brasileiros tinham empresas do ramo nas camisas: Pixbet no Flamengo e Betsson no Athletico-PR.
As marcas também avançaram para o espaço principal do uniforme, conhecido como patrocínio máster. Atlético-MG e Fluminense passaram a ter a Betano como patrocinadora máster em 2021. Em 2023, o Fluminense tornou-se o primeiro clube brasileiro a disputar a final da Libertadores com uma bet nessa posição.
Nas decisões de 2024, Botafogo e Atlético-MG chegaram à final com Parimatch e Betano, respectivamente, como patrocinadoras máster. No ano seguinte, Flamengo e Palmeiras também tinham marcas de apostas nesse espaço: Betano e Sportingbet. Em 2025, o acordo com a Sportingbet substituiu a Crefisa no Palmeiras e poderia render até R$ 170 milhões por temporada. Já a troca da Pixbet pela Betano elevou o contrato do Flamengo a até R$ 268,5 milhões anuais.
A expansão foi além dos uniformes dos finalistas. Em 2025, casas de apostas movimentaram cerca de R$ 1,03 bilhão em contratos com clubes da Série A. A medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas determinou a retirada das marcas do mercado até segunda-feira, 5, encerrando a possibilidade de os clubes manterem esse tipo de publicidade nas camisas.
O crescimento dos patrocínios ocorreu em paralelo a uma mudança nos resultados continentais. Antes de 2019, entre 2001 e 2018, clubes brasileiros estiveram em 12 finais e conquistaram sete títulos. As outras sete taças do país no século 21 até 2025 foram levantadas entre 2019 e 2025, período em que brasileiros venceram todas as decisões. A sequência incluiu títulos de Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Botafogo.