Chile registra menor produção mensal de cobre em 15 anos
Minas antigas, atrasos em expansões e chuvas reduziram a extração; a oferta menor pode pressionar o mercado e afetar importadores.
Resumo em 30 segundos
O Chile registrou em agosto seu menor volume mensal de extração de cobre em 15 anos. A queda é associada ao envelhecimento das minas, a atrasos em projetos e a chuvas que reduziram operações. A produção pode se recuperar nos próximos anos, mas especialistas não veem uma solução imediata.
O Chile, maior produtor mundial de cobre, registrou em agosto o menor volume mensal de extração em 15 anos, apesar da demanda global aquecida pelo metal. A queda ocorre em meio a problemas nas minas antigas, atrasos em projetos de expansão e redução das operações causada por chuvas em julho e agosto.
O país responde por cerca de um quarto do cobre extraído no mundo, mas sua participação no mercado caiu de 34% em 2010 para aproximadamente 23% atualmente, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. A redução da oferta chilena pressiona o mercado internacional e contribui para a valorização do metal, cujo preço subiu mais de 16% neste ano, de acordo com a Comissão Chilena do Cobre (Cochilco).
Em jazidas exploradas por décadas, as áreas com maior concentração do minério se esgotam. Para obter a mesma quantidade de cobre, as empresas precisam processar volumes maiores de rocha, o que eleva custos e exige mais manutenção e conhecimento técnico. A necessidade de modernizar e ampliar as minas também esbarra em atrasos, despesas adicionais e dificuldades técnicas, especialmente na estatal Codelco, segunda maior produtora mundial.
As chuvas fortes deste ano, atribuídas pela Direção Meteorológica do Chile ao fenômeno El Niño, levaram mineradoras a reduzir atividades no norte e no centro do país durante julho e agosto. Em julho de 2025, um acidente que matou seis trabalhadores também paralisou por meses parte das operações em El Teniente, a maior mina da Codelco.
O cobre é usado em sistemas de geração de energia solar, eólica e hidrelétrica e em centros de dados, inclusive os voltados à inteligência artificial. Sua capacidade de conduzir eletricidade o torna importante para essas atividades. Com a oferta chilena menor, importadores podem ter de recorrer a outros fornecedores ou lidar com mudanças em prazos, custos e condições de compra.
A Agência Internacional de Energia estima que, em 2035, a oferta mundial do metal poderá ficar 25% abaixo da demanda. A escassez potencial torna relevante a capacidade de expansão dos produtores, mas especialistas ouvidos sobre o setor apontam que o Chile não tem uma carteira significativa de projetos para elevar a produção no curto prazo.
A queda também afeta a economia chilena. O ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, afirmou neste mês que a redução da produção diminui o Produto Interno Bruto (PIB) do país em pelo menos um ponto em 2026.
Não há solução imediata para recuperar os volumes, segundo avaliações de especialistas do setor. Entre as medidas apontadas estão retomar a produção das grandes minas, avançar projetos de ampliação e modernização, desenvolver novas jazidas, acelerar a concessão de licenças e atrair investimentos. Melhorias na infraestrutura de energia, logística e abastecimento de água também são consideradas necessárias.
A consultoria CRU prevê que a produção chilena chegue a cerca de 5,5 milhões de toneladas em 2027, acima dos 5,27 milhões projetados pela Cochilco para este ano. Até 2030, o volume poderá se aproximar de 6 milhões de toneladas, com a entrada em operação de novas minas.
Para entender
- Codelco
- Empresa estatal chilena de mineração e uma das principais produtoras de cobre do mundo. Opera, entre outras, a mina El Teniente e tem projetos de expansão e modernização de suas operações.
- Cochilco
- A Comissão Chilena do Cobre é um órgão público do Chile que acompanha e analisa a atividade do setor. Publica estatísticas, projeções e informações sobre a mineração e o mercado de cobre.