IEA prevê escassez de diesel até 2027 após queda nos estoques
A agência não estimou o estoque de diesel no Brasil; no cenário global, prevê que a retomada das refinarias não cubra o déficit acumulado em 2026.
Resumo em 30 segundos
A Agência Internacional de Energia atribui a pressão sobre o diesel a conflitos no Oriente Médio e na Rússia, além da redução dos estoques antes do inverno no Hemisfério Norte. A entidade espera que refinarias retomem operações no fim de 2026, mas prevê que a recuperação não cubra o déficit acumulado no ano.
A escassez global de diesel pode se estender até 2027, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), que atribui a pressão sobre o abastecimento a conflitos no Oriente Médio e na Rússia e à redução dos estoques antes do inverno. O alerta foi divulgado nesta quarta-feira (14), em relatório sobre o mercado de petróleo; a agência não apresentou uma estimativa específica para o estoque de diesel no Brasil.
As interrupções na produção e nas exportações elevaram as margens de refino do diesel — a diferença entre o preço do combustível e o do petróleo bruto — a quase US$ 95 por barril em setembro, nível recorde. A IEA relacionou a perda de capacidade de refino a danos em instalações de energia ligados às guerras no Irã e na Ucrânia.
A agência informou que as exportações de diesel do Oriente Médio e da Rússia caíram, juntas, 1,3 milhão de barris por dia em setembro. Com a oferta pressionada, os estoques foram reduzidos antes da manutenção programada de refinarias no outono e do período de maior demanda no inverno no Hemisfério Norte.
A IEA prevê que as refinarias retomem parte das operações no fim deste ano, o que deve permitir recompor estoques. Essa recuperação, porém, não deve compensar o déficit acumulado em 2026 nos destilados médios, categoria que inclui diesel, gasóleo e combustível de aviação.
Segundo a agência, os preços elevados já encarecem produtos e afetam a renda, a atividade econômica e a inflação. O diesel é usado amplamente no transporte, na indústria e na agricultura, por isso mudanças em seu preço podem repercutir nos custos de diversos setores.
A demanda global por petróleo deve recuar 2,6 milhões de barris por dia em 2026, e um quarto dessa queda deve vir do diesel. A oferta mundial, por sua vez, deve diminuir 5,8 milhões de barris diários neste ano e crescer 7,7 milhões em 2027, cenário que, na projeção da IEA, levaria o mercado a voltar a ter excedente.
Países integrantes da IEA coordenam a liberação de petróleo e diesel de reservas de emergência para tentar conter os preços. O ritmo de retirada caiu para cerca de 270 mil barris por dia em setembro, ante média de 2,2 milhões entre março e junho. Até o fim de setembro, haviam sido liberados 331 milhões de barris do volume previsto no acordo; ainda restavam liberações de 46 milhões na Europa, 40 milhões nas Américas e 10 milhões na Ásia e Oceania.
As reservas emergenciais funcionam como proteção contra interrupções de oferta e choques de preços. A IEA informou que os países-membros mantêm cerca de 1 bilhão de barris em estoques governamentais, dos quais mais de 200 milhões são de diesel; retiradas prolongadas reduzem essa margem para crises futuras.
Para entender
- Destilados médios
- Categoria de derivados de petróleo que inclui diesel, gasóleo e combustível de aviação. A IEA usa o termo ao avaliar a oferta e a demanda desses combustíveis, que têm usos importantes no transporte, na indústria e na agricultura.