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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Campanha de Lula discute mudanças na comunicação para o segundo turno

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula; aliados criticam escolhas da campanha e pedem nova abordagem.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Assessores genéricos discutem estratégias em uma reunião de campanha. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Assessores genéricos discutem estratégias em uma reunião de campanha.
Resumo em 30 segundos

Após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula, aliados do presidente discutem mudanças na comunicação da campanha. As críticas incluem a escolha de temas considerados pouco mobilizadores e o pronunciamento de Lula após a votação. A equipe também avalia ampliar entrevistas e aparições informais do presidente nas redes sociais.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discute mudanças na comunicação para o segundo turno, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira etapa da eleição à frente. Petistas e integrantes do governo responsabilizam o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, por parte das escolhas estratégicas e defendem uma nova abordagem para tentar reverter o resultado.

Flávio obteve 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. A diferença ampliou a pressão sobre Sidônio, que não é o responsável oficial pela propaganda eleitoral — função exercida pelo publicitário Raul Rebelo, sócio do ministro —, mas participa das discussões da campanha. Aliados do presidente dizem que ele também está insatisfeito com a comunicação.

As críticas internas se concentram na escolha de temas como soberania e terras raras, considerados por integrantes da campanha pouco mobilizadores e difíceis de explicar ao público. Também houve reclamações sobre o pronunciamento de Lula depois da votação: aliados avaliaram que ele abordou assuntos demais, de responsabilidade fiscal a terras raras, e não transmitiu uma mensagem central.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defende que a campanha se concentre em apresentar aos eleitores o que Flávio representa e os riscos que uma eventual vitória poderia trazer. Um interlocutor de Lula sugeriu enfatizar possíveis efeitos sobre benefícios sociais e direitos de trabalhadores e aposentados. Essas propostas refletem avaliações de aliados, não medidas anunciadas pelo candidato do PL.

A preocupação com o conteúdo da campanha já havia sido expressa por Lula em uma reunião com a coordenação, em 8 de setembro. Na ocasião, ele criticou peças digitais com tom festivo e o uso de termos como “cashback” e “cadúnico”, que, na avaliação do presidente, poderiam não ser compreendidos por parte do público. Lula cobrou mais seriedade na apresentação das propostas e dos riscos que atribuía à candidatura adversária.

A atuação de Sidônio na campanha já era motivo de insatisfação antes do primeiro turno. No início de agosto, Lula havia sinalizado, em conversas internas, que o ministro não participaria formalmente da equipe. Depois, segundo integrantes da coordenação, Sidônio passou a contribuir de maneira informal e chegou a comandar gravações do presidente para o horário eleitoral. Mais tarde, deixou essa função com Rebelo e passou a atuar como consultor.

A possibilidade de uma parceria com o publicitário Otávio Antunes também foi discutida no PT, segundo relatos de dirigentes. Antunes já trabalhou na campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Não havia definição sobre sua entrada na equipe nem indicação de que Rebelo seria substituído.

Lula e aliados trataram da estratégia em uma reunião da coordenação nesta segunda-feira, com a participação de lideranças da campanha. A equipe também convocou candidatos do PT ao Senado e a governos estaduais para discutir os próximos passos. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu que Lula apareça com mais frequência em registros informais nas redes sociais.

O presidente disse que pretende ampliar entrevistas em rádios e fazer mais “selfies”. “Vamos dormir menos, trabalhar mais”, afirmou. Ele também disse que precisa conversar mais com os eleitores e atribuiu importância à mobilização emocional na política. O segundo turno será a próxima etapa da disputa entre Lula e Flávio.

Fontes: O Globo, Estadão

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