Campanha de Juliana Brizola denuncia ataques à candidatura no RS
A notícia-crime pede ao Ministério Público Eleitoral que identifique os responsáveis por ligações automáticas, pesquisa falsa e panfletos em Porto Alegre.
Resumo em 30 segundos
A campanha de Juliana Brizola apresentou notícia-crime eleitoral após eleitores relatarem ligações automáticas com uma pesquisa falsa, além da circulação de uma imagem com números inventados e materiais impressos em Porto Alegre. O pedido solicita a identificação dos responsáveis e o rastreamento das chamadas. A apresentação da denúncia não comprova autoria.
A campanha de Juliana Brizola (PDT), candidata ao governo do Rio Grande do Sul, apresentou neste sábado (3) uma notícia-crime eleitoral à Procuradoria Regional Eleitoral contra autores ainda não identificados de ataques à candidatura. As ações começaram na véspera da votação e incluem ligações automáticas, conteúdo falso compartilhado por mensagens e materiais impressos em Porto Alegre.
Desde a noite de sexta-feira (2), eleitores de diferentes cidades gaúchas relataram receber uma gravação que se apresenta como uma pesquisa com duas perguntas. A mensagem afirma que Brizola perderia para Zucco em um eventual segundo turno e, em seguida, pergunta se a pessoa ainda votaria nela. A campanha afirma que o resultado mencionado é falso e que a gravação busca influenciar a escolha dos eleitores.
As chamadas aparecem em números diferentes. Em alguns casos, pessoas que retornaram as ligações foram atendidas pelos titulares das linhas, que negaram ter feito as chamadas. Esse padrão pode indicar spoofing, técnica em que o número exibido para quem recebe uma ligação é mascarado e não corresponde necessariamente à linha de origem.
Depois que a campanha alertou o público nas redes sociais, dezenas de eleitores relataram ter recebido a gravação. Também circulou em aplicativos de mensagens a imagem de uma suposta pesquisa eleitoral com números inventados e o logotipo do PDT. Desde o início da semana, a campanha identificou em Porto Alegre adesivos e panfletos sem identificação de autoria com mensagens para desestimular o voto em Brizola.
A notícia-crime solicita que o Ministério Público Eleitoral identifique quem planejou, contratou, financiou e executou as ações. O pedido inclui o rastreamento técnico das ligações junto às operadoras de telefonia, para tentar determinar de onde partiram.
Eleitores que receberem a chamada ou encontrarem o material podem registrar a ocorrência pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral. A orientação é guardar evidências, como capturas de tela, gravações, o número que aparece na ligação e o horário em que ela foi recebida.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul informou que ainda não havia sido comunicado sobre a denúncia. A notícia-crime é um pedido para que o Ministério Público avalie os fatos e adote as medidas cabíveis; a apresentação do documento, por si só, não identifica os responsáveis nem comprova a autoria das ações.
Para entender
- Spoofing
- Técnica que mascara o número de origem exibido em uma ligação. Assim, o identificador apresentado no telefone de quem recebe a chamada pode não corresponder à linha que realmente a realizou.
- Aplicativo Pardal
- Ferramenta da Justiça Eleitoral que permite registrar denúncias de propaganda eleitoral irregular. O aplicativo pode ser usado por eleitores para encaminhar relatos e evidências, como imagens e gravações.