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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

WWF aponta queda de 73,2% nas populações de vertebrados

O Índice Planeta Vivo, também chamado de IPV ou LPI, analisou 35.803 populações entre 1970 e 2022; micos-leões-dourados e tigres tiveram recuperação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mico-leão-dourado em um galho na Mata Atlântica. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mico-leão-dourado em um galho na Mata Atlântica.
Resumo em 30 segundos

O Índice Planeta Vivo do WWF indica que populações monitoradas de vertebrados caíram, em média, 73,2% entre 1970 e 2022, com declínio de 95% na América Latina e no Caribe. A recuperação do mico-leão-dourado e dos tigres mostra que medidas de conservação podem reverter perdas, embora persistam ameaças a essas espécies e seus habitats.

O Índice Planeta Vivo divulgado pelo WWF nesta quinta-feira (8) aponta que as populações monitoradas de animais vertebrados diminuíram, em média, 73,2% no mundo entre 1970 e 2022. A queda foi mais acentuada na América Latina e no Caribe, onde o recuo chegou a 95%, mas exemplos como a recuperação do mico-leão-dourado e dos tigres mostram que medidas de conservação podem reverter trajetórias de declínio.

O levantamento é publicado a cada dois anos e reúne dados de 35.803 populações pertencentes a mais de 5 mil espécies de vertebrados. O Índice Planeta Vivo, também conhecido pela sigla LPI, acompanha mudanças relativas no tamanho dessas populações ao longo do tempo. Portanto, a queda de 73,2% não significa que três quartos de todos os animais do planeta desapareceram: ela representa a média das mudanças observadas nas populações monitoradas.

Segundo o relatório, aproximadamente metade das populações analisadas permaneceu estável ou cresceu. A redução acentuada na outra metade, porém, pesa no resultado global. A diretora-geral do WWF, Kirsten Schuijt, disse que a divulgação de casos de recuperação busca mostrar, com evidências, que a perda de biodiversidade pode ser enfrentada e evitar que a repetição de notícias negativas gere apatia.

A região com maior declínio foi a América Latina e o Caribe, seguida pela África, com 80%. Na Ásia-Pacífico, a queda foi de 49%; na América do Norte, de 28%; e na Europa e Ásia Central, de 23%. Andrew Terry, diretor de conservação da Sociedade de Zoologia de Londres, afirmou que os índices menores na América do Norte e na Europa refletem, em parte, perdas que ocorreram antes de 1970, início do período considerado pelo indicador.

Na América Latina, o desmatamento é uma das principais pressões sobre as espécies, em uma região que concentra grande biodiversidade. A expansão de pastagens, a poluição, o represamento de rios e a exploração excessiva de recursos também contribuem para o quadro. As mudanças climáticas acrescentam pressão sobre os ecossistemas e podem afetar, entre outros fatores, os regimes de chuva.

O mico-leão-dourado é um dos exemplos brasileiros de recuperação. Na década de 1970, restavam cerca de 200 indivíduos da espécie, que vive apenas em uma área do interior do Rio de Janeiro. Atualmente, aproximadamente 4.800 animais circulam pela Mata Atlântica. A recuperação foi associada à criação de áreas protegidas, à redução do desmatamento, a mudanças na legislação e ao envolvimento de comunidades locais.

O avanço não elimina os riscos. Em 2017, um surto de febre amarela matou 32% da população de micos. Como a espécie está concentrada em uma área relativamente pequena, doenças podem voltar a ameaçar o trabalho de conservação. Luís Paulo Ferraz, secretário executivo da Associação Mico-Leão-Dourado, destacou que a continuidade dos esforços ao longo de décadas ajudou a ampliar a população e a recuperar trechos de floresta, mas alertou que mudanças de governo e de políticas ambientais podem afetar iniciativas de longo prazo.

Os tigres selvagens também registraram uma recuperação. A estimativa global passou de 3,2 mil animais para 5,7 mil nos últimos quinze anos, alta de 70%. O relatório considera que essa é a primeira reversão documentada de um declínio de longo prazo para a espécie. Entre as medidas relacionadas ao resultado estão planos nacionais de conservação, áreas protegidas, fiscalização profissionalizada, combate ao tráfico e cooperação entre países. Ainda assim, os tigres ocupam menos de 8% de seu território original.

O relatório defende mudanças em três áreas que influenciam a pressão sobre a natureza: energia, produção de alimentos e finanças. A queima de carvão, petróleo e gás é apontada como a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa, que intensificam as mudanças climáticas. A expansão agrícola em larga escala também destrói habitats, enquanto o financiamento de atividades degradadoras supera em 30 vezes o volume direcionado a soluções, segundo o documento.

Helga Correa, do WWF-Brasil, afirmou que conservar costuma custar menos do que restaurar e que a recuperação de populações exige persistência, pois os resultados podem demorar. O caso do mico-leão-dourado também evidencia a ligação entre a sobrevivência de uma espécie e a proteção de seu habitat: a Mata Atlântica, bioma bastante devastado no país, tem papel na regulação do clima e no fornecimento de água para cidades.

Para entender

Índice Planeta Vivo
Indicador elaborado pelo WWF em parceria com a Sociedade de Zoologia de Londres. Ele acompanha mudanças relativas no tamanho de populações monitoradas de vertebrados ao longo do tempo; não mede quantos animais existem no planeta nem representa a porcentagem de todos os animais que desapareceu.

Fontes: Folha de S.Paulo

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