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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Vorcaro relata repasse para documentário sobre Lula e fundos

O ex-dono do Banco Master diz que pagou cerca de R$ 30 milhões em espécie; a PGR não avançou com a proposta de delação por falta de provas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Dinheiro em espécie, gravador e documentos sobre uma mesa, com uma tela de cinema ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Dinheiro em espécie, gravador e documentos sobre uma mesa, com uma tela de cinema ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Daniel Vorcaro relatou em áudios e documentos que repassou dinheiro para financiar o documentário Lula, de Oliver Stone, e que a negociação buscava acesso a fundos de pensão. A proposta de delação apresentada à PGR não avançou por falta de provas. Lula negou ter solicitado ou recebido recursos, e advogados pediram investigação à Polícia Federal.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou em áudios e documentos que repassou dinheiro em espécie para financiar um documentário sobre Luiz Inácio Lula da Silva e que a negociação estaria ligada à tentativa de obter acesso a fundos de pensão. O relato teria sido apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho, em uma segunda proposta de delação premiada que não avançou por falta de provas, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

Nos registros, Vorcaro descreve um pagamento de cerca de R$ 30 milhões para cobrir despesas da produção sobre Lula, além de outros valores destinados ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto. O documentário Lula, de 2024, foi dirigido pelo cineasta Oliver Stone e reúne depoimentos de amigos e aliados do presidente.

Em um dos áudios, Vorcaro compara esse repasse ao patrocínio do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e classifica de forma diferente as duas operações. “Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio”, diz o banqueiro na gravação, referindo-se também ao senador Flávio Bolsonaro (PL), ligado à produção do filme sobre o ex-presidente.

A negociação com o PT teria sido articulada por Augusto Lima, então sócio de Vorcaro e executivo do Master, e envolveria João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do partido. O relato atribui a Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, a intermediação do primeiro encontro entre Lima e Vaccari. A aproximação também teria contado com integrantes do PT na Bahia.

A proposta, conforme o relato atribuído a Vorcaro, buscava credenciar o Banco Master para operar com recursos administrados por fundos de previdência de servidores. Entre as entidades mencionadas estão a Previ, ligada ao Banco do Brasil, e a Caixa Asset, gestora de fundos do grupo Caixa. Também são citados fundos relacionados à Petrobras e aos Correios.

Vaccari teria exigido uma parcela de 10% dos valores que o Master captasse nessas operações. As estimativas mencionadas no relato apontavam para R$ 1 bilhão destinado ao PT e R$ 9 bilhões ao banco, caso os negócios fossem concretizados. O documento também indicaria que as tratativas acabaram frustradas por um desentendimento.

A PGR não deu seguimento à proposta de delação, alegando falta de provas para sustentar as acusações. Vorcaro teria dito que poderia apresentar informações sobre mensagens, acessos e deslocamentos relacionados à entrega do dinheiro. Como o pagamento descrito teria sido feito em espécie, a comprovação dependeria de elementos adicionais que corroborassem o relato.

A divulgação reacendeu comparações entre os financiamentos dos dois filmes. O patrocínio de Dark Horse também é investigado sob suspeita de uso de emendas parlamentares na produção. Flávio Bolsonaro afirmou que o financiamento foi privado e negou irregularidades. Os relatos sobre o documentário de Lula, por sua vez, não comprovam por si só que o presidente tenha solicitado ou recebido recursos.

Lula declarou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. A manifestação foi divulgada após a publicação das informações. O relato de Vorcaro é uma alegação apresentada no contexto de uma proposta de colaboração, e a PGR não a considerou comprovada para avançar com o acordo.

Depois da divulgação, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, do grupo Prerrogativas, apresentaram uma notícia de fato à Polícia Federal. Eles pediram investigação sobre uma possível articulação entre Vorcaro e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro para influenciar o segundo turno da eleição presidencial. Os advogados levantaram a hipótese de que o material pudesse ser usado contra Lula às vésperas da votação, antes de haver tempo para verificar as acusações e permitir uma resposta.

A eventual abertura de uma investigação pela Polícia Federal pode esclarecer a origem e a autenticidade dos registros, assim como a existência de elementos que confirmem ou contradigam as versões apresentadas. Até que haja apuração, os pagamentos e a negociação descritos por Vorcaro permanecem alegações, e a proposta de delação não foi aceita pela PGR.

Para entender

PGR
A Procuradoria-Geral da República atua perante os tribunais superiores e é chefiada pelo procurador-geral da República. Entre suas atribuições estão conduzir investigações e apresentar denúncias nos casos de competência da Justiça Federal nesses tribunais.
Previ
A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil é uma entidade fechada de previdência complementar. Administra planos de benefícios destinados a participantes vinculados ao Banco do Brasil e a seus familiares.

Fontes: Gazeta do Povo, Zero Hora

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