Trump compartilha críticas à vencedora do Nobel da Paz de 2026
A publicação de David Schoen acusa Navi Pillay de hostilidade aos Estados Unidos e a Israel; horas antes, ela brincou que dividiria o prêmio com Trump.
Resumo em 30 segundos
Donald Trump compartilhou uma publicação de seu advogado David Schoen que critica Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz de 2026, e defende que o presidente americano merecia a honraria. No mesmo dia, durante um congresso jurídico em Nuremberg, a jurista brincou que poderia dividir o prêmio com Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou nesta sexta-feira (9), na rede Truth Social, uma publicação que critica a jurista sul-africana Navi Pillay, anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. Horas antes, durante uma conferência jurídica em Nuremberg, na Alemanha, Pillay brincou que poderia dividir a honraria com Trump se recebesse mais aplausos.
A publicação compartilhada foi escrita por David Schoen, advogado de Trump. Ele afirmou que o Comitê Norueguês do Nobel prejudicou a reputação do prêmio ao escolher Pillay e acusou a jurista de demonstrar hostilidade aos Estados Unidos e a Israel. Schoen também criticou o trabalho dela em uma comissão de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os territórios palestinos ocupados.
No mesmo texto, Schoen defendeu que Trump merecia o Nobel. Citou os Acordos de Abraão, a libertação de reféns mantidos pelo Hamas, os esforços para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia e iniciativas relacionadas ao Irã e à reconstrução de Gaza.
Pillay, de 85 anos, foi reconhecida pelo comitê norueguês por seus esforços em favor da paz e do direito internacional. Ao receber a notícia, durante um congresso de juristas no Palácio de Justiça de Nuremberg, ela disse que, como advogada e juíza, ainda queria confirmar que o anúncio era verdadeiro.
A jurista presidiu a Comissão Internacional de Inquérito Independente da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados. Em 2025, a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. Israel rejeitou o relatório e o classificou como tendencioso e mentiroso. A Convenção sobre Genocídio define os critérios jurídicos para caracterizar esse crime; a conclusão de uma comissão de investigação não equivale a uma decisão judicial definitiva.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel também criticou a escolha de Pillay. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a premiação legitimava o que chamou de “ódio anti-Israel” e comparou a decisão à propaganda nazista.
A brincadeira de Pillay sobre dividir o prêmio remete à vencedora de 2025, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que entregou sua medalha a Trump em janeiro. O presidente americano manifestou interesse em receber o Nobel da Paz, mas não foi escolhido neste ano.
Pillay foi a primeira juíza não branca da Suprema Corte da África do Sul, atuou como alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos e integrou o Tribunal Penal Internacional. A entrega oficial do Nobel ocorrerá em Oslo, em 10 de dezembro. A premiação inclui medalha, diploma e US$ 1,2 milhão.
Para entender
- Comitê Norueguês do Nobel
- O Comitê Norueguês do Nobel é responsável por escolher o laureado com o Prêmio Nobel da Paz. Seus integrantes são nomeados pelo Parlamento da Noruega, e o comitê anuncia a escolha antes da cerimônia de entrega.
- Comissão de inquérito da ONU
- Comissões de inquérito das Nações Unidas investigam violações e situações de direitos humanos. Suas conclusões são relatórios de investigação e não equivalem, por si só, a uma decisão de um tribunal.