Qiu Xiaoqi diz que China manterá laços com países da América Latina
O representante especial afirmou que Pequim respeita as escolhas dos povos da região e manterá relações amistosas apesar de mudanças políticas.
Resumo em 30 segundos
Qiu Xiaoqi afirmou que a China pretende manter relações amistosas com os países da América Latina, independentemente de mudanças políticas ou de aproximações com os Estados Unidos. A declaração ocorre às vésperas do segundo turno da eleição presidencial no Brasil. Pequim também reafirmou que o reconhecimento do princípio de “Uma só China” é central para relações diplomáticas.
O representante especial da China para a América Latina, Qiu Xiaoqi, afirmou nesta segunda-feira (12) que Pequim pretende manter relações amistosas com os países da região, independentemente de mudanças políticas e de uma eventual aproximação de governos com os Estados Unidos. A declaração foi feita em um evento sobre as relações entre a China e a América Latina, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial no Brasil.
Qiu disse que a China respeita as escolhas dos povos latino-americanos e não estabelece critérios ideológicos para se relacionar com os países. Segundo ele, a política externa chinesa segue o princípio de não interferência em assuntos internos. O representante não citou candidatos ou chefes de Estado.
A principal condição de Pequim para estabelecer relações diplomáticas é o reconhecimento do princípio de “Uma só China”, segundo o qual Taiwan integra o território chinês. A ilha tem governo eleito e sistema político e econômico próprios, mas a China a considera parte de seu território. Países que reconhecem a soberania de Taiwan não mantêm relações diplomáticas com Pequim.
Na América do Sul, o Paraguai é o único país que reconhece Taiwan e não tem relações diplomáticas com a China. Em maio, o presidente paraguaio, Santiago Peña, visitou Taipé e se reuniu com o líder taiwanês, Lai Ching-te. O governo chinês protestou contra a visita e, nesta segunda-feira, sancionou o ministro paraguaio da Informação e Comunicação, Gustavo Villate. As medidas incluem o congelamento de bens e imóveis dele na China e a proibição de emissão de visto para o país, Hong Kong e Macau.
O Brasil reconhece o princípio de “Uma só China”, que Pequim define como requisito central nas relações diplomáticas. A relação bilateral ganhou atenção durante a campanha porque Flávio Bolsonaro, candidato do PL, lidera as pesquisas para o segundo turno e é alinhado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à disputa política, comercial e tecnológica entre Washington e Pequim.
Flávio tem defendido uma postura pragmática em relação à China e criticado a aproximação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o país asiático. Ainda assim, a chancelaria chinesa declarou que pretende trabalhar com o Brasil para manter o avanço estável e duradouro das relações, qualquer que seja o resultado eleitoral.
Em comunicado, o governo chinês afirmou que, nos 52 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas, os laços entre os dois países mantiveram uma trajetória positiva apesar das mudanças no cenário internacional. Também declarou que a amizade bilateral é um consenso em diferentes setores e que a cooperação traz benefícios aos dois povos.
Na pesquisa Datafolha mais recente citada após o primeiro turno, Flávio aparece com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. Antes da primeira votação, o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, havia reiterado a posição de não interferência e desejado que as eleições brasileiras fossem tranquilas e sem incidentes.
Para entender
- Princípio de Uma só China
- É a posição de Pequim de que existe uma só China e de que Taiwan faz parte de seu território. O reconhecimento desse princípio é uma condição central para que outros países estabeleçam relações diplomáticas com o governo chinês.