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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Policial morre em tiroteio entre PMs na Freguesia, em Jacarepaguá

Outros cinco agentes ficaram feridos; a principal hipótese é que policiais do 18º BPM tenham confundido uma abordagem do Bope com uma ocorrência criminosa.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Viaturas e policiais em uma rua da Freguesia, em Jacarepaguá. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Viaturas e policiais em uma rua da Freguesia, em Jacarepaguá.
Resumo em 30 segundos

O subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva morreu durante um tiroteio entre policiais militares na Freguesia, em Jacarepaguá. Outros cinco agentes foram baleados. A Polícia Militar e a Polícia Civil investigam se policiais do 18º BPM confundiram uma abordagem do Bope com uma ocorrência criminosa. O corpo foi sepultado nesta segunda-feira.

O subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, morreu na manhã de domingo durante um tiroteio entre policiais militares na Freguesia, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O confronto aconteceu na Rua Guilherme Moreira, durante uma abordagem de agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), e deixou outros cinco policiais feridos.

A principal hipótese investigada é que policiais do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento da região, tenham confundido a ação do Bope com uma ocorrência criminosa e atirado contra os colegas. Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar, os agentes do 18º BPM chegaram ao local enquanto a equipe do Bope abordava um veículo. A baixa luminosidade é apontada como possível fator para o engano.

Seis policiais foram baleados: cinco do Bope e um do 18º BPM. Gláucio foi levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas chegou morto à unidade. Os demais foram socorridos; parte passou por cirurgia, enquanto outros recebeu alta depois de avaliação médica.

A Polícia Militar apura o caso por meio da Corregedoria Interna, com a 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (2ª DPJM). A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), da Polícia Civil, também investiga as circunstâncias dos disparos. A suspeita de que policiais tenham atingido integrantes da própria corporação é conhecida como fogo amigo; a apuração deve esclarecer como a comunicação entre as equipes ocorreu e em que condições os tiros foram disparados.

O corpo de Gláucio foi sepultado nesta segunda-feira, após velório no cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste. Um helicóptero do Bope sobrevoou o local e lançou rosas brancas e vermelhas. Integrantes da unidade formaram um corredor para a passagem do caixão.

“Se um dia eu morrer, eu quero estar fardado”, disse Aline Viana, ex-mulher do subtenente, ao lembrar uma frase dele. O comandante do Bope afirmou durante a cerimônia: “Ele sacrificou a própria vida pelos irmãos”. Aline e os dois filhos de Gláucio acompanharam a despedida.

A ex-mulher cobra esclarecimentos sobre a sequência de acontecimentos. Ela disse que, inicialmente, a família foi informada de que não teria havido comunicação sobre a presença do Bope na região, mas que depois soube que um aviso havia sido feito. Aline questiona quem recebeu a informação e se ela foi repassada a todo o batalhão.

“Se sabiam que estavam naquela área, por que aconteceu isso tudo?”, perguntou. Ela também quer saber se os policiais do 18º BPM identificaram que estavam diante de integrantes do Bope e observou que, segundo seu entendimento, não havia troca de tiros antes do confronto. As circunstâncias e a circulação do aviso são pontos que poderão ser esclarecidos pelas investigações.

Aline contou que mantinha contato frequente com Gláucio, mesmo depois do divórcio. Na semana da morte, ele disse que participaria de uma missão, sem revelar detalhes, e os dois combinaram conversar no dia seguinte. Às 7h de domingo, ela enviou uma mensagem perguntando como ele estava e como havia sido a operação, mas não recebeu resposta.

Gláucio estava na Polícia Militar havia quase 26 anos e dedicou a maior parte da carreira ao Bope. Segundo Aline, ele considerava a unidade parte de sua identidade e dizia: “Eu sou caveira. Aquilo ali é a minha família”. O subtenente completaria 26 anos de serviço em dezembro.

A morte ocorreu menos de um ano depois de Gláucio perder o irmão mais novo, Heber Carvalho Fonseca, também integrante do Bope. Heber foi um dos cinco policiais mortos na operação realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão. A família se aproxima do primeiro aniversário da morte de Heber enquanto enfrenta a perda de Gláucio, que, segundo Aline, tinha no irmão uma referência e se sentia responsável por ele.

A ex-mulher afirmou que Gláucio não estava no batalhão quando Heber morreu e que a ocorrência de domingo marcaria seu retorno à unidade. A tenente-coronel Cláudia Moraes, porta-voz oficial da Polícia Militar, informou que não falaria com a imprensa durante a cerimônia.

Para entender

Bope
O Batalhão de Operações Policiais Especiais é uma unidade especializada da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, voltada a operações que exigem treinamento e equipamentos específicos.
Fogo amigo
A expressão é usada para identificar disparos que atingem integrantes da própria força ou de um grupo aliado. Neste caso, descreve a hipótese investigada de que policiais militares tenham atirado contra colegas de outra unidade.

Fontes: O Globo

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