Oposição marcha à Suprema Corte da Índia contra revisão eleitoral
Petição pede suspensão temporária do processo, que retirou mais de 130 milhões de nomes das listas, e será analisada nesta terça-feira, 13.
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Milhares de manifestantes marcharam até a Suprema Corte da Índia e protocolaram uma petição contra a revisão dos cadastros eleitorais. O pedido inclui a suspensão temporária do processo e uma auditoria das exclusões. A revisão retirou mais de 130 milhões de nomes das listas, e a oposição afirma que minorias são afetadas de forma desproporcional.
Milhares de manifestantes marcharam nesta segunda-feira (12) até a Suprema Corte da Índia, em Nova Déli, e entregaram uma petição contra a revisão dos cadastros eleitorais em todo o país. O documento pede que o processo seja suspenso temporariamente e deve ser analisado pelo tribunal nesta terça-feira (13).
A revisão, iniciada no ano passado, retirou mais de 130 milhões de nomes das listas de eleitores. Desse total, 28 milhões correspondiam a pessoas mortas, 63 milhões a cidadãos que mudaram de endereço e 30 milhões a pessoas que não foram localizadas.
A petição solicita uma auditoria das exclusões e garantias para impedir que eleitores sejam removidos sem aviso prévio e sem a possibilidade de apresentar sua defesa em uma audiência. Entre os signatários está Rahul Gandhi, líder da oposição.
Partidos oposicionistas e apoiadores do movimento juvenil Partido Popular das Baratas (CJP, na sigla em inglês) têm organizado atos quase diariamente neste mês. Eles pedem a renúncia de Gyanesh Kumar, chefe da Comissão Eleitoral, e afirmam que a revisão beneficia o Partido Bharatiya Janata (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi.
A oposição também sustenta que muçulmanos e integrantes de outras minorias são afetados de forma desproporcional pelas exclusões, por terem menor probabilidade de apoiar o partido governista nacionalista hindu. A Comissão Eleitoral e o BJP negam as acusações. A comissão afirma que pessoas retiradas das listas por engano podem se cadastrar novamente.
A marcha percorreu cerca de sete quilômetros pelo centro da capital e terminou diante da Suprema Corte. O ato ocorreu pacificamente, sob forte esquema de segurança, após a polícia deter milhares de pessoas durante o fim de semana e restringir a circulação na região central. Segundo a imprensa local, cerca de 20 mil manifestantes foram detidos entre sábado (10) e domingo (11), entre eles líderes do CJP.
As autoridades fecharam seis estações de metrô por 11 horas e limitaram o trânsito em vários trechos. A polícia também informou que Jantar Mantar, local histórico de manifestações no centro comercial da cidade, deixará de ser autorizado para protestos. Três outros espaços foram designados para essa finalidade.
O BJP afirmou que as manifestações são uma tentativa do Congresso, principal partido de oposição, de voltar ao poder. O partido também acusou seus adversários de enfraquecer a democracia ao questionar procedimentos eleitorais legítimos.
Anirudh Siyag, estudante de doutorado que participou da marcha, disse que as instituições do país estão perdendo independência. “Os valores fundamentais deste país estão sendo atacados, e as instituições estão perdendo sua independência [...] Estou aqui para protestar contra esse ataque”, afirmou.
Os protestos começaram após a divulgação de preocupações internas de dois subordinados de Kumar sobre a revisão das listas, os procedimentos de registro e os sistemas digitais. O movimento juvenil também organizou atos nos últimos meses sobre condições de escolas públicas e emprego. Separadamente, líderes do CJP pediram à polícia que marque uma data para um protesto pacífico e ameaçaram convocar nova manifestação se não houver resposta em até 24 horas.