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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Eleitores associam ansiedade após 1º turno à “psicose política”

Psicólogas afirmam que a expressão não é um diagnóstico clínico e descreve reações coletivas à disputa, como ansiedade e frustração.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoa acompanha notícias eleitorais no celular, com expressão preocupada. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoa acompanha notícias eleitorais no celular, com expressão preocupada.
Resumo em 30 segundos

A expressão “psicose política” ganhou força nas redes após Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. Especialistas esclarecem que o termo não designa uma condição clínica e relacionam o fenômeno à polarização, à radicalização e ao fluxo contínuo de conteúdos. Eles também sugerem formas de reduzir o desgaste e lidar com conflitos.

O resultado apertado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 levou eleitores a falar em “psicose política” nas redes sociais. A expressão ganhou popularidade entre apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terminou a etapa inicial da disputa atrás de Flávio Bolsonaro (PL): Lula recebeu 45,15% dos votos, e Bolsonaro, 47,03%.

Apesar do nome, “psicose política” não é um diagnóstico clínico formal. A psicóloga Alessa Rodrigues afirma que o termo descreve um fenômeno social e coletivo, ligado à reação de grupos diante de um resultado eleitoral diferente do esperado, e não uma psicose no sentido médico.

Na psicologia clínica, explicou Alessa, psicose é uma condição neurobiológica que pode alterar a personalidade e o comportamento, além de produzir delírios e alucinações, isto é, pensamentos desconectados da realidade. A expressão usada nas redes, por sua vez, ganhou força para nomear sentimentos de ansiedade e frustração associados à disputa política.

Alessa compara algumas reações ao resultado a etapas do luto, como choque, raiva, tristeza e reorganização. “É tipo uma regulação emocional, nesse caso, coletiva”, disse. Segundo ela, acompanhar continuamente previsões e cenários nas redes pode manter eleitores em estado de alerta e aumentar o desgaste emocional.

A psicanalista Vera Iaconelli relaciona esse ambiente à polarização, à radicalização do debate e ao peso das redes sociais. Para ela, divergências políticas não são, por si só, o problema; a dificuldade aparece quando as pessoas deixam de aceitar o diálogo com quem pensa de outra forma.

Nesse contexto, o voto pode ser percebido por alguns eleitores como uma ameaça ou confirmação de valores e expectativas pessoais, e não apenas como uma escolha entre candidaturas. Motivações emocionais, experiências de vida e o sentimento de pertencimento a um grupo também influenciam a forma como cada pessoa interpreta o resultado.

A escritora mineira Vitória Cavazza Lisboa, de 22 anos, contou que se afastou de um primo próximo durante o período eleitoral. Ela afirmou que a decisão ocorreu porque, embora ele dissesse amá-la, votou em alguém que, na avaliação dela, a odeia por ser mulher, LGBT+ e autista.

Maurício Pereira, de 35 anos, diretor de marketing e performance em uma agência de influenciadores em São Paulo, disse que passou a evitar conversas sobre eleições com familiares e amigos após brigas com conhecidos. “Acho válido cada um ter e até defender seu ponto de vista, mas quando isso sai da esfera amigável e parte para agressões, deixa evidente que a relação é insustentável”, afirmou.

Iaconelli avalia que, quando a discussão se torna radicalizada, a troca de argumentos perde espaço e as posições já estabelecidas são reforçadas. “A radicalização é uma forma de impedir o diálogo. Quando você radicaliza, você tem o álibi perfeito para não apresentar suas razões. É dogmático, um ato de fé. É frustrante, exaustivo e inibidor”, disse.

A psicanalista também associou a polarização a conflitos em famílias, amizades, locais de trabalho e outros espaços de convivência. Segundo ela, as redes ampliam a circulação de opiniões e podem reforçar comparações, cobranças e insatisfação; durante uma eleição, o fluxo contínuo de notícias e comentários pode intensificar a sensação de urgência.

Para lidar com conflitos, Iaconelli recomenda perceber se a outra pessoa está aberta a escutar e conversar. Ela também defende encontros presenciais como uma forma de favorecer o diálogo. “O olho no olho desmascara muitas das violências. Quando você está na presença das pessoas, você tem mais chance de ter um diálogo real”, afirmou.

Alessa sugere que eleitores busquem atividades cotidianas em que sintam ter algum controle, em vez de acompanhar sem interrupção os cenários políticos. Ela também aponta a participação em ações na comunidade como uma maneira de exercer valores e reduzir a sensação de impotência diante dos acontecimentos.

Fontes: Valor Econômico

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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