Forças do Iêmen dizem retomar Mokha em ofensiva contra houthis
O controle de Mokha e Dhubab é contestado, e observadores confirmam combates sem apontar vencedor; Bab el-Mandeb não foi fechado.
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Forças do governo iemenita afirmam ter retomado Mokha e Dhubab durante uma contraofensiva apoiada pela Arábia Saudita, mas os houthis contestam a versão e observadores não confirmam um vencedor. Os combates ocorrem perto do estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para o comércio marítimo, e incluem ataques a aeroportos sauditas e uma ofensiva contra Hodeidah.
Forças do governo internacionalmente reconhecido do Iêmen afirmam ter retomado Dhubab e Mokha, cidades próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho. A alegação foi feita em meio a uma contraofensiva iniciada no domingo contra os houthis, apoiada pela Arábia Saudita; observadores independentes confirmam combates intensos na região, mas não identificam um vencedor claro.
O governo, sediado em Áden, diz que suas tropas controlam as duas cidades. Os houthis classificam a versão oficial como “histórias fabricadas” e afirmam estar em vantagem. Mokha fica junto ao estreito, por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo internacional, e sua posição é estratégica para o tráfego de navios entre o Mar Vermelho e o golfo de Áden.
A disputa não significa que Bab el-Mandeb tenha sido fechado. A milícia obteve controle parcial da passagem no mês passado, segundo as informações sobre o avanço recente, mas os relatos sobre quem domina as áreas costeiras seguem contestados. O estreito é uma rota importante para o transporte marítimo internacional; qualquer interferência pode afetar a navegação entre Europa e Ásia.
Fernando Carvajal, ex-conselheiro para o Iêmen no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), disse à Al Jazeera que a capacidade das forças governistas de manter Mokha será um teste importante. Segundo ele, a cidade está cercada pelos houthis por três lados, com acesso ao mar como única saída apontada.
A contraofensiva busca conter os avanços recentes da milícia e recuperar territórios, incluindo a capital, Sana. O comando saudita afirma que mais de 100 aviões apoiam as forças terrestres e que mais de 300 alvos considerados de interesse foram atingidos no fim de semana. Há combates também nas áreas montanhosas de Taiz, onde os houthis controlam estradas importantes.
Outra frente da operação é Hodeidah, porto controlado pelos houthis desde outubro de 2014. A cidade enfrenta bombardeios e uma ofensiva terrestre com apoio aéreo e naval saudita. A perda de Hodeidah poderia representar um revés maior para a milícia do que a perda de posições ao redor de Bab el-Mandeb, avaliou a analista iemenita Fatima Alasrar em publicação na rede social X.
Os houthis responderam com ataques à Arábia Saudita. A milícia afirmou ter atingido ao menos três aeroportos — Jazan, Abha e Najran —, com feridos e danos. Na véspera, também reivindicou ataques ao aeroporto de Riad e a instalações da estatal petrolífera Aramco. Seu porta-voz, Yahya Saree, pediu que companhias aéreas internacionais suspendam voos no espaço aéreo saudita, exceto sobre Meca e Medina.
A guerra civil havia ficado relativamente suspensa por anos e foi retomada em julho, após bombardeios sauditas ao aeroporto de Sana, em resposta à chegada de uma aeronave iraniana. Os houthis impuseram então um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho. No mês passado, avançaram em áreas que lhes permitiram exercer controle parcial de Bab el-Mandeb. O Irã mencionou o possível fechamento do estreito, além de bloqueios no estreito de Ormuz, em negociações para encerrar o conflito iniciado por Estados Unidos e Israel em fevereiro.
A escalada também mobiliza aliados sauditas. Na segunda-feira, Riad anunciou que Turquia e Paquistão concordaram em acionar a cláusula de defesa mútua do chamado Pacto de Meca e enviar tropas e equipamentos ao território saudita, sem detalhar efetivos ou funções. A ONU condenou os ataques transfronteiriços dos houthis e expressou preocupação com a intensificação dos combates. Desde a retomada, quase mil pessoas morreram e 189 mil deixaram suas casas; a França anunciou € 3 milhões em ajuda humanitária ao Iêmen.