FMI alerta para efeitos globais de ataques à Arábia Saudita
Kristalina Georgieva diz que a instabilidade pode afetar economias e mercados de energia; houthis reivindicaram ataques a instalações da Aramco e a Riade.
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Os houthis reivindicaram ataques a instalações da Aramco, a uma refinaria e ao aeroporto de Riade. Autoridades sauditas informaram que um prédio da petroleira foi atingido e que quatro pessoas ficaram feridas na capital. A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que a escalada pode ter efeitos econômicos negativos na região e no mundo.
Os houthis, grupo armado do Iêmen aliado ao Irã, reivindicaram nesta quarta-feira (14) ataques contra instalações da Aramco em Dhahran, uma refinaria e o aeroporto de Riade, na Arábia Saudita. No mesmo dia, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que a escalada pode produzir efeitos econômicos negativos na região e no mundo.
O Ministério da Energia saudita informou que um prédio da Aramco, em Dhahran, foi atingido na noite de terça-feira e sofreu um incêndio de pequena proporção, sem vítimas. O ministério também afirmou que não houve impacto nas operações do local. Dhahran abriga a sede da petroleira estatal saudita, que coordena atividades de produção, transporte, refino e exportação de petróleo.
Os houthis disseram que os ataques desta quarta-feira atingiram a empresa, o aeroporto de Riade e uma refinaria na capital. O grupo afirmou que pretende continuar a ofensiva contra instalações petrolíferas e aeroportos sauditas. As autoridades sauditas relataram que quatro pessoas, incluindo duas mulheres e uma criança, ficaram feridas por estilhaços de mísseis em Riade.
A capital tem sido alvo de ataques diários há mais de uma semana. No sábado, uma ofensiva contra o aeroporto deixou 13 mortos, segundo as informações divulgadas pelas autoridades. A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado um míssil lançado contra Riade. Os ataques fazem parte da guerra entre os houthis e a coalizão, que apoia o governo iemenita reconhecido internacionalmente desde 2015.
Georgieva afirmou, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc, que a economia saudita tem importância regional e global. Por isso, disse, os desdobramentos podem ter repercussões negativas em diferentes países. A preocupação é que a instabilidade afete o crescimento e os mercados de energia, num momento em que o conflito no Oriente Médio já pressiona os preços do petróleo.
O barril Brent, referência internacional, chegou a US$ 107,15 nesta quarta-feira, alta de 1,38%, antes de recuar para US$ 106,26, com valorização de 0,54%, por volta das 9h, no horário de Brasília. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, era negociado a US$ 95,65, avanço de 1,60%, no mesmo horário.
A crise se intensificou no contexto da guerra envolvendo o Irã. Depois de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país, em fevereiro, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. No Iêmen, a guerra, que teve uma trégua em 2022, foi retomada em julho; em setembro, os houthis ampliaram seu controle sobre áreas costeiras do Mar Vermelho e o Estreito de Bab el-Mandeb.