Corinthians chega a 66% de risco de rebaixamento, aponta UFMG
A derrota para o Vasco e as vitórias de Grêmio e Internacional alteraram as probabilidades de rebaixamento no Brasileirão, que seguem sujeitas a cada rodada.
Resumo em 30 segundos
O Corinthians passou a ter 66% de probabilidade de cair para a Série B, segundo cálculos da UFMG, após perder para o Vasco. Grêmio e Internacional também seguem ameaçados, com chances de rebaixamento de 61,6% e 38,5%, respectivamente. As projeções mudam conforme os resultados e não definem a classificação final.
O Corinthians passou a ter 66% de probabilidade de rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro após perder para o Vasco, enquanto Grêmio e Internacional também seguem ameaçados. Os cálculos são da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e consideram os resultados mais recentes da competição, incluindo as vitórias do Inter sobre o Botafogo e do Grêmio sobre o Coritiba.
Com os resultados, o Internacional deixou a zona de rebaixamento, e o Grêmio ultrapassou o Corinthians na tabela, segundo a situação descrita após a rodada. A probabilidade de queda é de 61,6% para o Grêmio e de 38,5% para o Inter. A chance de os dois clubes gaúchos serem rebaixados juntos é de 23,71%, abaixo dos 26,92% calculados antes da vitória gremista.
Entre as combinações de equipes ameaçadas, a queda conjunta de Grêmio e Corinthians tem probabilidade de 40,65%. Já a possibilidade de Corinthians e Internacional terminarem rebaixados é de 25,41%. Os percentuais são estimativas matemáticas atualizadas conforme os resultados e os jogos restantes; não significam que o rebaixamento esteja definido.
Outros cinco clubes ainda aparecem com risco de queda nos cálculos da UFMG: Mirassol, com 14,6%; Vitória, com 6,4%; Coritiba, com 6,2%; Vasco, com 4,1%; e Botafogo, com 2,6%. A luta contra o Z-4 — expressão usada para designar a zona dos quatro últimos colocados, que caem para a Série B — ainda envolve, portanto, equipes além dos três clubes com maiores probabilidades.
A derrota do Corinthians para o Vasco e os triunfos dos gaúchos mudaram o cenário para as equipes. O Grêmio venceu o Coritiba por 1 a 0, fora de casa, com gol de Braithwaite nos acréscimos, aos 46 minutos do segundo tempo. O resultado encerrou a sequência sem vitória gremista como visitante no Brasileirão e deu ao time um respiro na disputa para escapar do rebaixamento.
O risco esportivo se soma a dificuldades financeiras nos três clubes. O Corinthians tem dívida total de R$ 2,08 bilhões e débitos de curto prazo de R$ 699 milhões. A estimativa de cobertura dessas obrigações com recursos também de curto prazo é de 63%, segundo os dados citados pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF).
Grêmio e Internacional também enfrentam passivos elevados. A dívida gremista é estimada em R$ 811 milhões, enquanto a colorada chega a R$ 1,05 bilhão. Para os compromissos de curto prazo, a cobertura calculada é de 30% no Grêmio e 33% no Inter; os valores correspondentes são R$ 451 milhões e R$ 554 milhões, respectivamente.
A ANRESF também aponta atrasos dos clubes em salários de atletas ou funcionários, pagamentos de transferências e impostos. Os cálculos de dívida não incluem, nos casos do Grêmio e do Inter, valores que fazem parte dos planos firmados com credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), instância ligada à resolução de conflitos no futebol.
As dificuldades financeiras dos gaúchos foram agravadas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, de acordo com as informações divulgadas sobre a situação dos clubes. As estruturas de endividamento também diferem: empréstimos representam 35% da dívida do Grêmio, ou R$ 283 milhões; no Internacional, débitos trabalhistas, impostos e parcelamentos somam 39%, equivalentes a R$ 412 milhões.
O técnico Roger Machado, que já comandou Grêmio e Internacional, relacionou os desafios à valorização financeira do futebol e à dificuldade de ampliar receitas. Para ele, os clubes precisam se adaptar a um cenário em que administrar déficits e continuar competitivos exige mudanças na organização. A avaliação foi apresentada como uma questão que ultrapassa a situação específica da dupla gaúcha.
No Corinthians, a capacidade estimada de cobrir obrigações de curto prazo é superior à dos dois rivais, mas o clube também tem atrasos em pagamentos. A situação financeira não determina o resultado esportivo: as probabilidades de rebaixamento da UFMG são projeções sujeitas a mudanças a cada rodada, enquanto a permanência na Série A depende dos pontos conquistados até o fim do campeonato.