China registra superávit comercial de US$ 133,5 bilhões em setembro
As exportações chinesas somaram US$ 447,2 bilhões, recorde para um mês, e cresceram 36,3% em um ano; o saldo pode superar a marca anual de 2025.
Resumo em 30 segundos
A China registrou em setembro superávit comercial de US$ 133,5 bilhões, o segundo maior resultado mensal já contabilizado. As exportações alcançaram o recorde de US$ 447,2 bilhões, enquanto a fraqueza da demanda interna e incentivos fiscais também influenciam o saldo. O resultado reforça tensões comerciais e a cobrança por mais consumo no país.
A China registrou superávit comercial de US$ 133,5 bilhões em setembro, o segundo maior resultado mensal já contabilizado, após as exportações atingirem um recorde. O país caminha para superar o superávit de US$ 1,19 trilhão registrado no ano passado, segundo dados da Administração-Geral das Alfândegas chinesa.
As exportações somaram US$ 447,2 bilhões, alta de 36,3% em relação a setembro do ano anterior. Foi o maior crescimento anual desde julho de 2010, desconsiderados os meses em que o calendário do Ano-Novo Lunar distorceu a comparação. O saldo de setembro só foi menor que o de janeiro de 2025, quando empresas anteciparam embarques antes do feriado prolongado.
O superávit é a diferença entre o valor das exportações e o das importações. Economistas divergem sobre o peso de cada lado do resultado: a expansão das vendas externas e a fraqueza da demanda por produtos importados. Uma moeda chinesa mais barata em termos reais tornou os bens do país mais competitivos no exterior, mas encareceu as compras vindas de outros mercados.
O renminbi, moeda da China, perdeu mais de 14% de seu valor real em relação a uma cesta ampla de moedas desde março de 2022, segundo o Banco de Compensações Internacionais. A queda é ajustada pela inflação. Naquele mês, a China iniciou um confinamento de dois meses em Xangai para conter a Covid-19, episódio que afetou a confiança dos consumidores.
Incentivos fiscais aos exportadores também contribuíram para o avanço das vendas. Os benefícios custaram cerca de US$ 318 bilhões ao Ministério das Finanças chinês no ano passado. Ao mesmo tempo, a demanda interna enfrenta dificuldades: uma crise prolongada no setor imobiliário e o aumento do desemprego deixaram famílias cautelosas em relação aos gastos, enquanto Pequim direciona apoio público à indústria nacional.
A força das exportações amplia as tensões com parceiros comerciais. Na Europa, a entrada de veículos e outros produtos chineses levou alguns líderes a defenderem mecanismos para bloquear mercadorias. A União Europeia e a China anunciaram na sexta-feira um acordo para limitar as exportações chinesas de carros híbridos recarregáveis para o mercado europeu; o superávit chinês com a Europa também atingiu um recorde no mês passado.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, pediu que Pequim reduza a dependência das exportações e dê mais espaço ao consumo interno. “Para colocar de forma muito simples, a China precisa gastar mais, os Estados Unidos precisam poupar mais e a Europa precisa investir mais”, afirmou durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok.
Georgieva também disse que os Estados Unidos não conseguirão reduzir a dívida pública apenas com crescimento econômico e precisarão ajustar impostos ou gastos. Para a China, a mudança recomendada pelo Fundo busca reequilibrar o modelo econômico: ampliar o consumo doméstico pode reduzir a dependência de vender ao exterior, enquanto parceiros comerciais cobram medidas diante do volume crescente de produtos chineses em seus mercados.
O resultado de setembro é mensal e não corresponde ao saldo acumulado de todo o ano. Ainda assim, com o superávit de 2025 já em nível recorde e as exportações acelerando, os dados mais recentes apontam para a possibilidade de a China ultrapassar essa marca anual.
Para entender
- Superávit comercial
- É a diferença entre o valor das exportações e o das importações de um país em determinado período. Quando as exportações superam as importações, há superávit; quando ocorre o contrário, há déficit.
- Renminbi
- É a moeda oficial da China. O yuan é sua principal unidade de conta, nome frequentemente usado no exterior para se referir à moeda chinesa.