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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Centrão perde cadeiras, mas segue decisivo para o próximo governo

Com 128 deputados na próxima legislatura, o grupo pode influenciar votações e propostas de emenda à Constituição, enquanto União Brasil e PP devem apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Lula.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário da Câmara dos Deputados com parlamentares conversando antes de uma votação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário da Câmara dos Deputados com parlamentares conversando antes de uma votação.
Resumo em 30 segundos

O centrão terá 128 deputados a partir de 2027, ante 140 antes das eleições, mas deve continuar decisivo para a aprovação de projetos. União Brasil e PP devem apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Lula, enquanto o Republicanos ainda não definiu sua posição. O PL ampliou sua bancada para 121 cadeiras.

O PL ampliou sua presença na Câmara dos Deputados após as eleições de 2026, enquanto União Brasil, PP e Republicanos perderam cadeiras. Mesmo menor, o grupo conhecido como centrão deve seguir decisivo para a aprovação de projetos pelo próximo governo, seja ele comandado por Flávio Bolsonaro ou por Luiz Inácio Lula da Silva, que disputam o segundo turno da eleição presidencial. União Brasil e PP devem anunciar nesta terça-feira (6) apoio à candidatura de Flávio; o Republicanos ainda não definiu sua posição.

A bancada do centrão na Câmara cairá de 140 para 128 deputados na próxima legislatura, que começa em 2027. A federação formada por União Brasil e PP passará de 98 para 87 cadeiras. O Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta, terá 41 deputados, um a menos do que antes da eleição.

O PL, partido de Flávio, elegeu 121 deputados, e o Novo, também à direita, conquistou dez vagas. As siglas de esquerda PT, PCdoB, PSOL e PSB somarão 124 cadeiras. Nesse cenário, os partidos de centro continuam relevantes porque nenhum dos dois principais blocos consegue, sozinho, formar maioria para aprovar projetos.

A composição também pode influenciar mudanças na Constituição. Se todos os partidos de centro aderirem ao governo, a base de Flávio chegaria a 389 deputados; a de Lula, a 382. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC), que altera o texto constitucional, precisa do apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados, em dois turnos de votação na Câmara. As projeções pressupõem adesão integral, mas parlamentares do centrão têm diferentes alinhamentos regionais e ideológicos, o que torna improvável que todos votem sempre juntos.

O Republicanos ainda não decidiu se apoiará Flávio ou ficará neutro. Parte de seus filiados tende a votar em Lula. A indefinição reflete diferenças internas: no Senado, os novos eleitos do partido reforçaram uma orientação mais próxima do bolsonarismo, enquanto a bancada da Câmara tem maior adesão ao governo petista.

A redução do centrão ocorre em meio ao avanço da direita na eleição para deputado federal. Parlamentares atribuem a mudança ao crescimento do voto de opinião em municípios onde partidos de centro mantinham influência por meio de emendas parlamentares, prefeituras e programas sociais. A campanha nas redes sociais também teria dificultado prever o resultado, segundo esses parlamentares.

Além de União Brasil, PP e Republicanos, partidos de centro como PSD e MDB também terão menos deputados. O PSD elegeu 43, ante 48 antes da votação; o MDB caiu de 38 para 36. O PSD afirmou que cresceu em relação à eleição de 2022 e que conquistou mais governos estaduais. No MDB, representantes do Nordeste formam o grupo regional mais numeroso, com cerca de 40% da bancada; eles são descritos como mais próximos de Lula, embora também tenham apoiado propostas do governo de Jair Bolsonaro.

O número de deputados pode mudar depois da posse. Trinta e quatro eleitos por partidos que não alcançaram a cláusula de desempenho poderão trocar de legenda sem perder o mandato. A regra exige que as siglas atinjam um patamar mínimo de votos para manter acesso a recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão. PSOL/Rede, PRD/Solidariedade, PDT, Avante e Missão estão entre as legendas que não atingiram o mínimo.

No Senado, o conjunto de União Brasil, PP e Republicanos manteve 17 cadeiras, mas o perfil da bancada se deslocou em direção ao bolsonarismo. O PP caiu de oito para seis senadores; o União Brasil subiu de três para cinco, e o Republicanos permaneceu com seis. Já o PSD sofreu a maior redução entre os partidos citados, passando de 14 para cinco senadores. O MDB perdeu uma cadeira e terá oito a partir de 2027.

Para entender

Centrão
Nome usado para um conjunto de partidos de centro ou centro-direita que costuma negociar apoio a governos e projetos no Congresso. A composição do grupo pode variar; no texto, o termo reúne União Brasil, PP e Republicanos.
Proposta de emenda à Constituição
Uma PEC é uma proposta para alterar a Constituição Federal. Para ser aprovada na Câmara, precisa receber ao menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação.
Cláusula de desempenho
Regra que exige que os partidos alcancem um patamar mínimo de votos para ter acesso a recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.

Fontes: Folha de S.Paulo

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