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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Banco Central divulga reajustes de convenções coletivas todo mês

Os indicadores usam dados do sistema Mediador do MTE e mostram reajustes nominais e ganhos reais, descontada a inflação pelo INPC.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Representantes de trabalhadores e empregadores participam de uma negociação coletiva em uma sala de reuniões. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Representantes de trabalhadores e empregadores participam de uma negociação coletiva em uma sala de reuniões.
Resumo em 30 segundos

O Banco Central passará a divulgar mensalmente indicadores sobre reajustes salariais definidos em convenções coletivas registradas no sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego. A série mostrará aumentos nominais e reais, além da parcela de convenções com reajustes abaixo, iguais ou acima da inflação. O BC acompanhará os dados para analisar salários, emprego e preços.

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (6) que vai divulgar mensalmente indicadores de reajustes salariais definidos em convenções coletivas. Os dados serão incorporados ao Relatório de Política Monetária e terão como fonte o Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho, conhecido como Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A nova série apresentará os reajustes nominais e os ganhos reais, calculados após descontar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Também mostrará quantas convenções foram consideradas e qual parcela estabeleceu aumentos abaixo, iguais ou acima da inflação.

O Mediador é o sistema do governo federal que registra instrumentos coletivos de trabalho, como convenções e acordos firmados entre representantes de trabalhadores e empregadores. As informações do sistema permitem consultar esses documentos e, agora, serão usadas pelo BC para acompanhar de forma regular os resultados das negociações salariais.

Segundo Ricardo Sabbadini, chefe do Departamento Econômico do BC, os indicadores devem contribuir para a análise das condições do mercado de trabalho e da relação entre inflação e salários negociados. A autoridade monetária já observava essas negociações no relatório, mas formalizou, desde setembro, uma metodologia mensal baseada nas convenções registradas no Mediador.

O BC aponta que a situação do emprego pode influenciar o resultado das negociações. Em períodos de desemprego menor, trabalhadores tendem a ter maior poder de barganha; aumentos salariais acima da inflação podem elevar os custos das empresas e, dependendo das condições econômicas, contribuir para pressões sobre os preços.

A instituição cita como exemplos os períodos de 2012 a 2014 e o intervalo iniciado em 2023. Em ambos, taxas de desemprego mais baixas coincidiram com maior frequência de convenções que concederam reajustes superiores à inflação. A associação será acompanhada nos novos indicadores, sem que isso, por si só, estabeleça uma relação de causa e efeito entre emprego, salários e preços.

A divulgação começa em um momento de mercado de trabalho aquecido. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, taxa próxima dos menores níveis da série histórica. Para o BC, esse contexto torna relevante observar como os acordos e convenções coletivas estão definindo a remuneração dos trabalhadores.

Para entender

Sistema Mediador
Plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego que registra instrumentos coletivos firmados entre representantes de trabalhadores e empregadores, como convenções e acordos coletivos. Os documentos registrados podem ser consultados no sistema.
INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor é calculado pelo IBGE e mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias de menor renda. É usado como referência para acompanhar a inflação e calcular ganhos salariais reais.

Fontes: Gazeta do Povo

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