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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Polícia Federal diz que áudio sobre filme de Lula não foi entregue

A gravação atribui a Daniel Vorcaro um repasse de R$ 30 milhões, mas a PF afirma que não recebeu depoimento ou documentos com esse conteúdo.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada de um prédio da Polícia Federal em Brasília, com um investigador de costas segurando uma pasta. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada de um prédio da Polícia Federal em Brasília, com um investigador de costas segurando uma pasta.
Resumo em 30 segundos

A Polícia Federal informou que Daniel Vorcaro não prestou depoimento nem entregou documentos sobre a gravação que lhe atribui um repasse de R$ 30 milhões para o documentário de Lula. PF e PGR dizem que o assunto não apareceu nas propostas de delação rejeitadas. A defesa nega conhecer o áudio, e Lula e o Planalto negam participação.

A Polícia Federal informou nesta sexta-feira, 9 de outubro, que Daniel Vorcaro não prestou depoimento nem entregou documentos ou informações com o conteúdo de uma gravação divulgada sobre suposto financiamento do documentário de Luiz Inácio Lula da Silva. A instituição recebeu uma notícia-crime que pede apuração dos fatos e encaminhou o expediente à área técnica.

A gravação, atribuída ao ex-banqueiro e divulgada pela revista Veja, contém a alegação de que ele teria destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo à produção do filme. O relato também associa o suposto repasse à busca por acesso a negócios em estruturas do governo federal. A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmam que esse conteúdo não constou das propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro.

Em nota, a PF disse que as propostas de delação não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada comunicada à defesa. A PGR afirmou que as tratativas ocorreram por meio dos advogados, sem interlocução direta com Vorcaro, e que não houve depoimento oral porque a proposta foi rejeitada. A defesa do ex-banqueiro nega saber da existência da gravação e de uma proposta para falar sobre o filme.

Segundo o relato divulgado, Vorcaro teria dito que colocou “até mais” no documentário de Lula do que no filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, mas que o primeiro repasse teria sido “por fora” e “errado”, enquanto o outro teria sido um patrocínio. Essa distinção ainda não foi confirmada por depoimento ou documentos apresentados à PF, que declarou não ter recebido material com esse teor.

Lula e o Palácio do Planalto negam participação no suposto financiamento. Em declaração reproduzida na reportagem, o presidente disse que nunca solicitou nem recebeu vantagem financeira e que não autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome. A Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que o presidente ou o governo não pediram dinheiro para o documentário. A produtora da obra havia declarado, em maio, que Vorcaro não enviou recursos à produção.

A campanha do PT classificou as acusações como “construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral” e anunciou que tomaria medidas judiciais. O presidente do partido, Edinho Silva, afirmou em áudio enviado a militantes que o relato não foi aceito como delação e tem “viés político”. Ele também comparou o caso ao financiamento de Dark Horse, cuja origem dos recursos, segundo disse, teria materialidade.

A controvérsia ocorre em meio a relatos sobre contatos de Vorcaro com pessoas ligadas ao PT e ao governo. De acordo com a publicação da gravação, o ex-banqueiro teria negociado com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, pagamentos em troca de acesso a fundos de previdência de servidores, entre eles Previ, Caixa Asset e Petros. Augusto Lima, então sócio e presidente-executivo do Banco Master, teria aproximado Vorcaro do partido, e o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria intermediado o primeiro encontro com Vaccari.

Ainda segundo o relato, Vaccari teria cobrado 10% dos recursos que o Master captasse com os fundos. A estimativa mencionada era de R$ 1 bilhão para o PT e R$ 9 bilhões para o banco, mas os investimentos não foram concluídos. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicariam proximidade com pessoas do entorno presidencial, embora não houvesse referência direta ao documentário nas conversas dele com aliados.

O Master entrou, em abril de 2024, na lista de instituições autorizadas a receber recursos de fundos de previdência estatais. Conversas apontariam um pagamento de R$ 500 mil no mesmo dia a um dos supostos interlocutores. Os negócios, porém, não avançaram; em 2025, Vorcaro teria reclamado que as tentativas já duravam mais de 12 meses. O ministro Alexandre Padilha negou relação com o ex-banqueiro e afirmou que o único encontro entre os dois não teve desdobramentos.

A PF também informou que recebeu um pedido urgente de investigação relacionado à publicação da gravação. Advogados do grupo Prerrogativas solicitaram que a instituição apure a origem, a existência, o conteúdo e os destinatários do material. Eles alegam que a circulação do áudio pode influenciar a eleição e mencionam relatos de que Vorcaro teria sido incentivado a falar do filme em troca de benefícios judiciais.

Especialistas em direito ouvidos sobre o caso defendem que eventuais acusações sejam verificadas com documentos, registros financeiros e depoimentos formais. Entre os pontos que consideram necessário esclarecer estão a origem e o caminho dos recursos, quem teria negociado as condições e se houve tentativa de obter acesso privilegiado a autoridades. A gravação, por si só, não comprova que o dinheiro foi transferido nem que houve contrapartida.

Fontes: Gazeta do Povo

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