Ações do Ibovespa têm volatilidade abaixo da média antes da eleição
A volatilidade média de 26 ações do Ibovespa ficou 23% abaixo do padrão histórico na semana encerrada em 27 de setembro, antes do primeiro turno.
Resumo em 30 segundos
A volatilidade média de 26 ações do Ibovespa ficou 23% abaixo da média histórica na semana encerrada em 27 de setembro, antes do primeiro turno de 2026. Em eleições anteriores, as maiores oscilações ocorreram principalmente nas semanas depois das votações. Outubro também registrou volatilidade superior à de setembro nos quatro pleitos analisados desde 2010.
Um levantamento de eleições presidenciais anteriores indica que as ações brasileiras costumam oscilar mais nas semanas posteriores à votação do que na véspera do primeiro turno. Em 2026, a volatilidade média de 26 papéis do Ibovespa estava abaixo da referência histórica até 27 de setembro, uma semana antes da eleição de domingo, 4 de outubro.
A Economatica analisou ações que fazem parte do Ibovespa desde 2010 e comparou a volatilidade em quatro pleitos. Em nenhum deles a semana imediatamente anterior ao primeiro turno concentrou o maior nível de oscilação. Em 2018, 15 dos 26 papéis atingiram o pico na semana seguinte ao primeiro turno; em 2014, 17 tiveram o maior nível depois do segundo turno.
A média de volatilidade chegou a 3,95% na semana após o primeiro turno de 2018 e a 4,12% na semana posterior ao segundo turno de 2014. Antes do primeiro turno daqueles anos, os indicadores estavam perto de 2%. Nas eleições de 2022 e 2010, os picos semanais médios foram, respectivamente, 1,6 e 1,4 vez superiores ao nível da semana anterior ao primeiro turno.
O padrão também aparece na comparação entre os meses. Outubro teve volatilidade maior que setembro nas quatro eleições analisadas: a diferença foi de 58% em 2014, 46% em 2018, 18% em 2022 e 8% em 2010.
Empresas mais expostas ao governo e ao crédito no mercado doméstico apresentaram oscilações mais intensas. Cosan, Axia Energia, Santander, Cemig, Bradesco, Petrobras e Banco do Brasil tiveram, em média, volatilidade em outubro pelo menos 1,5 vez maior que em setembro nos pleitos de 2010 a 2022. Já Gerdau, Metalúrgica Gerdau e Usiminas registraram níveis próximos nos dois meses.
Na semana encerrada em 27 de setembro, a volatilidade média das 26 ações analisadas foi de 1,51%, 23% abaixo da média de 1,97% observada na mesma janela dos quatro pleitos anteriores. Vinte e dois papéis estavam abaixo de suas respectivas médias históricas; CSN, Natura, Cosan e Lojas Renner eram as exceções.
O período posterior ao primeiro turno deste ano vai de 5 a 9 de outubro. Caso haja segundo turno, a votação será em 25 de outubro, e a semana seguinte, de 26 a 30, também será relevante para a comparação com o histórico.
Quem é quem
- Ibovespa
- Principal índice de ações da B3, a bolsa de valores brasileira. Reúne ativos de empresas negociados no mercado e é usado como referência para acompanhar o desempenho médio das ações mais representativas e negociadas.
- Economatica
- Empresa que fornece bases de dados e ferramentas de análise para os mercados financeiro e de capitais. Suas informações são utilizadas por investidores, instituições e pesquisadores para estudar empresas, ativos e indicadores econômicos.
- B3
- A B3 é a bolsa de valores do Brasil e uma infraestrutura do mercado financeiro. Opera ambientes de negociação e serviços ligados a ações, títulos, derivativos e outros instrumentos financeiros.