Victoria registra alta de 31,6% nas mortes por eutanásia
Victoria registrou 512 mortes por morte assistida voluntária no ano encerrado em 30 de junho, alta de 31,6% em relação ao período anterior.
Resumo em 30 segundos
Victoria registrou 512 mortes por morte assistida voluntária no ano encerrado em 30 de junho, aumento de 31,6% em relação ao período anterior. O estado aprovou mudanças que entrarão em vigor em 2027, ampliando a elegibilidade e encurtando o prazo mínimo de solicitação. Bispos católicos criticam as alterações e pedem reforço dos cuidados paliativos.
O estado australiano de Victoria registrou 512 mortes após a administração de uma substância de morte assistida voluntária (MAV) no ano encerrado em 30 de junho. O número representa aumento de 31,6% ante as 389 mortes do período anterior e corresponde a 1,1% dos óbitos no estado, cuja capital é Melbourne. Os dados constam do relatório anual do Conselho de Revisão de Morte Assistida Voluntária de Victoria.
O documento contabilizou ainda 1.156 solicitações de acesso à MAV, quase 40% a mais que no ano anterior. Entre as mortes registradas, 372 ocorreram após a própria pessoa administrar a substância, enquanto em 140 casos a administração foi feita por um profissional de saúde. O total é quase quatro vezes superior ao registrado no primeiro ano completo de funcionamento do programa, após a lei entrar em vigor, em 2019.
As mudanças aprovadas pelo Parlamento de Victoria em novembro de 2025 devem começar a valer em 19 de abril de 2027. As regras ampliarão a elegibilidade, reduzirão de nove para cinco dias o período mínimo de solicitação e permitirão que alguns profissionais de saúde iniciem conversas sobre MAV durante cuidados de fim de vida.
Em carta pastoral publicada em outubro de 2025, bispos católicos de Victoria criticaram as alterações. Eles alertaram que profissionais poderiam abordar a morte assistida com pacientes que “podem estar em seu momento mais vulnerável” e disseram que as salvaguardas seriam enfraquecidas. Os bispos também pediram maior acesso a cuidados paliativos.
O arcebispo de Sydney, Anthony Fisher, defendeu que a Igreja ofereça alternativas como cuidados paliativos, pastorais e de descanso para familiares que cuidam de pessoas idosas ou em fim de vida.
Victoria foi o primeiro estado australiano a adotar a MAV. Segundo o relatório Estado da MAV 2026, da organização Go Gentle Australia, mais de 14 mil pessoas solicitaram acesso em todo o país e mais de 7 mil morreram após usar a substância. A organização estima que a prática represente de 2% a 3% das mortes nacionais. A MAV está disponível nos seis estados e no Território da Capital Australiana; o Território do Norte aprovou uma lei em agosto, mas o sistema só deve começar a operar em 2028.
Quem é quem
- Victoria
- Estado localizado no sudeste da Austrália, com Melbourne como capital. Foi o primeiro estado australiano a instituir a morte assistida voluntária. A legislação estadual sobre o tema foi aprovada em 2017 e entrou em vigor em 2019.
- Anthony Fisher
- Arcebispo católico de Sydney, na Austrália. É uma das principais lideranças da Igreja Católica no país e defende a oferta de cuidados paliativos, pastorais e apoio às famílias que cuidam de pessoas idosas ou em fim de vida.