Ucrânia usa torres com IA para abater drones russos Geran-5
Doze unidades foram instaladas em Kiev; com alcance de cerca de um quilômetro, elas complementam a aviação e outras defesas antiaéreas.
Resumo em 30 segundos
A Ucrânia começou a usar torres robóticas com inteligência artificial para detectar e abater drones russos a jato, incluindo o Geran-5. Doze unidades foram instaladas em Kiev. Com alcance limitado e dependentes de condições favoráveis, elas complementam outros meios de defesa, enquanto a aviação segue central no combate aos drones.
A Ucrânia começou a usar torres robóticas equipadas com inteligência artificial (IA) para interceptar drones russos movidos a jato, entre eles o Geran-5, informou nesta segunda-feira a Força Aérea ucraniana. Instaladas em pontes de Kiev, as armas automatizadas usam metralhadoras e sistemas ópticos para identificar e atingir aeronaves não tripuladas, reduzindo a necessidade de intervenção humana.
O porta-voz da Força Aérea, coronel Yuri Ignat, disse que as torres já derrubaram drones. O sistema combina câmeras e IA para acompanhar os alvos e auxiliar no disparo. Sergiy Beskrestnov, assessor de tecnologia do presidente ucraniano, afirmou que 12 unidades foram instaladas na capital e que outras serão implantadas.
O Geran-5 é uma versão maior, mais veloz e mais potente que os drones russos tradicionalmente usados, derivados dos modelos iranianos Shahed. A propulsão a jato aumenta a velocidade e torna a interceptação mais difícil, elevando a pressão sobre as defesas ucranianas, que enfrentam falta de munição adequada.
As torres, porém, não substituem os demais meios de defesa. Ignat afirmou que elas têm alcance de cerca de um quilômetro, ou pouco mais, e dependem de condições como um ângulo favorável de aproximação do drone. “Isso não é nenhum tipo de solução definitiva”, disse o porta-voz. Ele descreveu o equipamento como parte de um sistema integrado, que busca atingir as aeronaves em diferentes níveis.
A Força Aérea ainda recorre principalmente a aviões para combater drones a jato. Segundo Ignat, aeronaves que voam em grande altitude e alta velocidade podem ser alcançadas por caças, incluindo os F-16. Alguns pilotos, afirmou, derrubam mais de dez drones Shahed em uma única missão.
A escassez de mísseis, no entanto, obriga pilotos ucranianos a usar também os canhões dos aviões contra as aeronaves não tripuladas. A busca por alternativas de menor custo e que exijam menos recursos ocorre em meio à invasão russa em larga escala, iniciada em 2022, e aos esforços de Kiev para ampliar o uso de tecnologias automatizadas no campo militar.
A inteligência artificial já é empregada pelas forças ucranianas para orientar drones, identificar alvos e coordenar operações. No caso das torres, a automação pode acelerar a detecção e o acompanhamento de uma aeronave, mas o alcance limitado e a dependência de condições favoráveis restringem o papel do sistema. A defesa contra drones, portanto, depende da combinação entre armas automatizadas, aviação e outros recursos antiaéreos.
A integração de tecnologias recentes a armamentos convencionais também aparece nos planos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O comandante supremo aliado na Europa, general Alexus Grynkewich, prepara uma estratégia chamada “teoria da vitória”, que será apresentada na Polônia em 12 de outubro. O documento trata de como a aliança responderia a um eventual ataque russo ao seu flanco leste.
A proposta prevê combinar forças terrestres com recursos da Iniciativa de Dissuasão do Flanco Leste, incluindo drones de baixo custo, sistemas que precisam de poucos operadores e seleção de alvos apoiada por IA. Depois de obter liberdade de manobra, a Otan buscaria atingir os sistemas inimigos de comando e controle, com a intenção de enfraquecer rapidamente as forças adversárias.
O porta-voz de Grynkewich, coronel Martin O’Donnell, afirmou que o objetivo é manter a vantagem da aliança e criar condições para dissuadir agressões. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse recentemente que não havia indícios de preparação russa para um ataque convencional contra a organização, mas defendeu que a Europa esteja pronta para enfrentar ameaças híbridas, ações agressivas que ficam abaixo do limiar de uma guerra aberta.