Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Trump libera diesel russo e suspende sanções para cargas embarcadas

A licença temporária vale até abril de 2027 para navios-tanque carregados até 9 de outubro; o acordo prevê mais de 4,8 milhões de toneladas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Navio-tanque descarrega diesel em um terminal portuário com tanques de armazenamento ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Navio-tanque descarrega diesel em um terminal portuário com tanques de armazenamento ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Donald Trump anunciou um acordo com Vladimir Putin para ampliar o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e global. O Tesouro dos EUA autorizou temporariamente a comercialização de cargas embarcadas até 9 de outubro, suspendendo a aplicação de sanções a elas até abril de 2027. O impacto nos preços é incerto, e a medida foi criticada pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 9, um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para ampliar o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e global. Trump afirmou que as entregas começariam imediatamente, em meio à alta dos combustíveis provocada pela guerra no Irã e a poucas semanas das eleições legislativas de 3 de novembro.

Segundo Trump, a Rússia disponibilizará mais de 300 mil toneladas de diesel de imediato, outras 500 mil toneladas em novembro e mais 1 milhão de toneladas depois disso. Ele também mencionou a possibilidade de uma entrega adicional de 3 milhões de toneladas “em um curto período de tempo”, condicionada às condições das refinarias russas. Se todos os volumes forem entregues, o total anunciado supera 4,8 milhões de toneladas.

Trump disse que a redução dos preços para os americanos, em especial agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, é sua principal prioridade. O preço médio nacional do diesel nos Estados Unidos era de US$ 6,28 por galão, segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA), após chegar a US$ 6,52 em 22 de setembro. A alta internacional dos combustíveis está ligada, entre outros fatores, à interrupção dos fluxos de energia pelo Estreito de Ormuz durante o conflito com o Irã.

Após o anúncio, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que emitiria uma licença geral temporária para permitir a comercialização de diesel russo. A autorização suspende a aplicação de sanções até abril de 2027 para cargas que tenham sido embarcadas em navios-tanque até esta sexta-feira. Uma licença geral é uma autorização ampla que permite determinadas transações sem exigir uma aprovação individual para cada operação.

A medida não equivale, por si só, à revogação de todas as sanções contra a Rússia. No mês passado, Trump assinou uma lei que prevê restrições a autoridades russas, bancos e navios petroleiros, além de proibir novos investimentos americanos no país e a negociação de sua dívida soberana. A legislação também determina tarifas de até 100% sobre os cinco maiores importadores de petróleo ou gás natural russos, com exceções previstas para alguns países.

Os Estados Unidos não importavam petróleo ou gás russo desde 2022, quando o governo de Joe Biden proibiu essas compras após a invasão da Ucrânia. A nova licença do Tesouro, contudo, permite que cargas de diesel russo já embarcadas até esta sexta sejam destinadas ao mercado global, inclusive ao americano. O governo não esclareceu quem pagará pelo combustível nem quando as remessas estarão disponíveis nos Estados Unidos.

A flexibilização ocorre enquanto a Rússia enfrenta dificuldades para exportar diesel. Moscou restringiu os embarques desde julho para priorizar o abastecimento interno, depois de ataques ucranianos a refinarias. O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak afirmou à agência estatal Tass que o país começaria a suspender as limitações antes do previsto e poderia iniciar fornecimentos aos Estados Unidos ainda em outubro. Ele disse também que o mercado interno russo ficará plenamente abastecido.

A lei americana de sanções busca reduzir as receitas de energia que ajudam a financiar a guerra russa contra a Ucrânia. A possibilidade de o governo aplicar as medidas previstas contra grandes compradores de petróleo e gás russos ficou em questão após o acordo anunciado por Trump. O presidente não comentou as sanções nem a guerra na Ucrânia ao divulgar a negociação.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, criticou a decisão. Em uma publicação, afirmou que a flexibilização sem um acordo duradouro para reduzir as tensões beneficiaria Moscou e prolongaria o conflito. Zelenski também disse que a equipe americana reunida com autoridades ucranianas em Miami para discutir uma proposta de paz estava sendo usada como “cortina de fumaça”.

Putin afirmou, em comunicado divulgado pelo Kremlin, que a conversa telefônica com Trump tratou das perspectivas de resolução da crise ucraniana, da situação envolvendo o Irã e de relações bilaterais. O líder russo disse que Moscou estava disposta a fornecer petróleo e derivados aos mercados dos Estados Unidos e mundial.

O efeito da medida sobre os preços é incerto. A oferta adicional pode aliviar parte da pressão, mas não necessariamente reduzir de forma significativa o custo do diesel: a Rússia pode redirecionar para os Estados Unidos cargas que seriam vendidas a outros compradores, levando esses países a procurar fornecedores alternativos. A produção russa de diesel caiu cerca de 30%, segundo a Agência Internacional de Energia, enquanto as restrições às exportações foram adotadas para conter a escassez doméstica.

Para entender

Licença geral
Autorização ampla do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos que permite determinadas transações sem exigir uma aprovação individual para cada operação. A licença anunciada contempla cargas de diesel russo embarcadas em navios-tanque até a data indicada.

Fontes: Estadão, Gazeta do Povo, O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também