Tarcísio de Freitas é reeleito em São Paulo com votação recorde
Ele recebeu 14,49 milhões de votos, ou 62,65% dos válidos, e superou marcas anteriores; Haddad ficou com 36,42% no resultado da eleição para governador.
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Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, com 14.491.874 votos e 62,65% dos válidos. O resultado superou recordes estaduais anteriores e ficou à frente da votação de Fernando Haddad. Na capital, Tarcísio venceu com 52,76% e teve mais votos que Flávio Bolsonaro em todas as zonas eleitorais.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, no domingo (4), com 14.491.874 votos, equivalentes a 62,65% dos válidos. Fernando Haddad (PT) recebeu 8.423.656 votos, ou 36,42%. O resultado, recorde desde o início da série histórica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 1998, ampliou a votação que Tarcísio havia obtido em 2022.
O governador superou os 13.480.643 votos registrados no segundo turno da eleição anterior. Também ultrapassou a maior votação de um candidato a governador no primeiro turno, alcançada por José Serra (PSDB) em 2006, e o maior percentual de votos válidos, obtido por Geraldo Alckmin, então no PSDB, no segundo turno de 2002: 58,64%.
Na capital paulista, Tarcísio venceu com 52,76% dos votos válidos, ante 46,09% de Haddad, que governou a cidade entre 2013 e 2016. O governador ficou à frente em 38 das 57 zonas eleitorais da capital. Também superou no estado a votação de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente, por cerca de 1,5 milhão de votos; na cidade de São Paulo, a diferença foi de 472.949 votos. Tarcísio teve mais votos que Flávio nas 57 zonas eleitorais, inclusive em áreas onde perdeu para Haddad na disputa estadual.
A dimensão do resultado reforçou a posição política do governador e foi associada por Felipe Alves, sócio da consultoria de marketing político Idealis Comunicação, à avaliação dos eleitores sobre a gestão. “O eleitor de direita que não é bolsonarista quer um cara que tenha trajetória e resultado”, afirmou. Para Alves, a vitória não se explica apenas pelo antipetismo nem pelo apoio de Jair Bolsonaro, que lançou Tarcísio na política.
O consultor apontou obras, concessões e privatizações como marcas do primeiro mandato. Entre os exemplos, citou a privatização da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) e projetos ferroviários para Sorocaba e Campinas. Ele também destacou a aliança eleitoral do governador, que reuniu mais de dez partidos, incluindo MDB e Podemos, além de siglas de centro e centro-direita.
A trajetória profissional de Tarcísio ajuda a situar o perfil técnico mencionado por aliados. Engenheiro formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e oficial do Exército, ele trabalhou no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) durante governos do PT e, depois, foi ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro. Alves o descreveu como um político de direita moderada, que pondera suas decisões e declarações.
Durante a campanha, Tarcísio defendeu transparência ao ser questionado sobre investigações relacionadas ao Banco Master e se essa cobrança também deveria valer para Flávio Bolsonaro. “Tudo tem que ser passado a limpo. Eu defendo transparência absoluta”, disse. O governador manteve distância do caso enquanto as denúncias eram discutidas e concentrou suas manifestações na defesa da investigação.
Na segunda-feira (5), Tarcísio se reuniu com Flávio em Brasília para acertar sua participação na campanha presidencial. O segundo turno da eleição para presidente está marcado para 25 de outubro. A votação estadual também indicou que o apoio ao governador ultrapassou o eleitorado de Bolsonaro: Tarcísio obteve mais votos que Flávio tanto no conjunto de São Paulo quanto na capital.