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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Sophie Adenot diz que humanidade não está pronta para ir a Marte

Após oito meses na Estação Espacial Internacional, a astronauta francesa relata os efeitos físicos da volta à Terra e aponta a gravidade artificial como possível solução.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Nave espacial em rotação no espaço, com a Terra ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Nave espacial em rotação no espaço, com a Terra ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A astronauta francesa Sophie Adenot afirmou que a humanidade ainda precisa de avanços tecnológicos para realizar uma viagem a Marte. Ela citou os efeitos físicos da volta à Terra e as limitações de espaço e exercício numa nave de transporte. Viagens mais rápidas e gravidade artificial por rotação poderiam ajudar a reduzir os desafios.

A astronauta francesa Sophie Adenot afirmou que a humanidade ainda não está preparada para uma viagem a Marte. Ela fez a avaliação em uma coletiva da Agência Espacial Europeia (ESA), em Colônia, na Alemanha, cinco dias depois de retornar à Terra após oito meses na Estação Espacial Internacional (EEI). “Não estamos preparados, precisamos de avanços tecnológicos revolucionários”, disse.

Adenot relatou que passou mal quando a cápsula foi aberta, ao voltar a sentir o movimento do mar. Naquele momento, afirmou que queria voltar ao espaço, onde se sentia melhor. Depois, porém, apontou que a experiência reforçou sua preocupação com os desafios de uma missão interplanetária.

Segundo a astronauta, mais de 50% dos profissionais apresentam sintomas ao voltar do espaço, como fraqueza intensa e vômitos. Os efeitos variam entre pessoas e também podem ser diferentes para o mesmo astronauta em missões distintas.

Uma viagem a Marte é estimada em seis a nove meses, duração comparável ao período que Adenot passou na EEI. Ela ponderou, no entanto, que a estação oferece mais espaço e melhores condições para manter a atividade física do que uma nave de transporte. Em uma viagem longa, essas limitações poderiam dificultar até tarefas básicas, afirmou.

A falta de gravidade é um dos desafios de missões espaciais prolongadas. Na microgravidade, o corpo não recebe o estímulo habitual da gravidade terrestre, o que pode afetar o equilíbrio e a capacidade de se movimentar. A experiência de retorno descrita por Adenot também mostra que a adaptação ao ambiente terrestre pode provocar sintomas físicos.

A astronauta afirmou que viagens mais rápidas poderiam reduzir parte dos problemas, assim como sistemas capazes de simular a gravidade durante o trajeto. Uma possibilidade seria fazer a nave girar sobre si mesma: a rotação produziria uma força que empurraria os tripulantes em direção às paredes internas, criando um efeito semelhante ao da gravidade.

A gravidade artificial por rotação é uma proposta para missões espaciais, mas Adenot disse que ainda são necessárias etapas fundamentais para tornar uma viagem a Marte viável. “Se conseguirmos avanços tecnológicos revolucionários” que permitam acelerar o percurso e manter os astronautas expostos a uma forma de gravidade, a missão poderia funcionar, avaliou. Ela também alertou que, com a tecnologia atual, uma jornada de vários meses imporia limitações fisiológicas e operacionais.

Para entender

Gravidade artificial por rotação
Uma nave que gira pode produzir um efeito de aceleração que empurra os tripulantes em direção às paredes internas. A proposta busca imitar alguns efeitos da gravidade, mas não equivale à gravidade terrestre e depende de soluções de engenharia para ser usada em missões espaciais.

Fontes: O Globo

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