Rússia ataca usina de energia na Ucrânia após anúncio de trégua
O bombardeio em Kharkiv deixou ao menos 12 feridos e danificou estruturas de gás; Zelensky pediu que os Estados Unidos garantam o cessar-fogo anunciado por Trump.
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Um ataque russo atingiu uma usina termelétrica em Kharkiv nesta segunda-feira, deixando ao menos 12 pessoas feridas e danificando estruturas de produção de gás natural. O bombardeio ocorreu um dia depois de Donald Trump anunciar um cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia. Zelensky disse que soube do entendimento pela imprensa e pediu que Washington assegure seu cumprimento.
Um ataque russo atingiu nesta segunda-feira uma usina termelétrica em Kharkiv, no leste da Ucrânia, deixou ao menos 12 pessoas feridas e danificou estruturas de produção de gás natural, segundo autoridades ucranianas e a empresa estatal Naftogaz. O bombardeio ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que Moscou e Kiev haviam concordado com um cessar-fogo no setor de energia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que soube do entendimento pela imprensa e que ainda aguardava informações sobre as condições acertadas entre Washington e Moscou. Em participação por videoconferência no Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, ele acusou a Rússia de violar a trégua e pediu aos Estados Unidos que garantam o cumprimento de qualquer compromisso.
“Esse cessar-fogo energético pode funcionar e pode se tornar um passo importante para encerrar a guerra se os americanos agirem e garantirem que a Rússia o respeite”, disse Zelensky. O Kremlin não havia comentado o anúncio de Trump até esta segunda-feira.
Zelensky declarou que a Ucrânia não atacou refinarias russas durante a noite e condicionou a suspensão dessas operações ao fim dos ataques russos contra a infraestrutura energética e crítica ucraniana. A Ucrânia tem usado drones de longo alcance contra instalações do setor de energia da Rússia, incluindo refinarias, em ações que afetam a capacidade de Moscou de exportar combustíveis.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse que preferiria uma trégua que também impedisse mortes e afirmou não estar claro se Moscou a respeitaria. Ministros do bloco aprovaram a inclusão de quase 1.600 alvos ligados ao complexo militar-industrial russo em listas de sanções; mais da metade, segundo Kallas, está relacionada à produção de mísseis balísticos. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou não ter visto sinais recentes de que a Rússia estivesse respeitando um cessar-fogo energético.
Trump também anunciou um acordo para que a Rússia forneça até 4,8 milhões de toneladas de diesel ao mercado global, além de outras três milhões de toneladas em prazo condicionado à situação das refinarias russas. O presidente americano atribui a alta dos combustíveis, que pressiona seu Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, aos ataques ucranianos a refinarias. Zelensky rejeitou essa explicação e apontou a guerra no Oriente Médio como fator mais relevante.
A disputa ocorre enquanto Trump pressiona por mudanças na liderança ucraniana e novas eleições. Zelensky disse que Kiev realizaria uma votação se a Rússia aceitasse um cessar-fogo de 60 dias. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, rejeitou essa proposta e ofereceu uma trégua de apenas um dia para a realização do pleito. As eleições ucranianas estão suspensas sob a lei marcial, em vigor desde a invasão russa.