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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Royal Canin amplia pesquisa e produtos para gatos idosos

A empresa desenvolve alimentos com texturas e aromas adaptados às mudanças do envelhecimento, enquanto o mercado de ração para gatos idosos cresce.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Gato idoso escolhe entre duas porções de ração em um centro de pesquisa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Gato idoso escolhe entre duas porções de ração em um centro de pesquisa.
Resumo em 30 segundos

Royal Canin e outras fabricantes pesquisam preferências, digestão e comportamento de cães e gatos para desenvolver alimentos voltados ao envelhecimento. Entre as opções estão mousse extramacia e ração seca de fácil mastigação. Nos Estados Unidos, os gastos com alimentos para gatos superaram US$ 17 bilhões no último ano, segundo a NielsenIQ.

Fabricantes de alimentos para animais de estimação estão ampliando pesquisas e produtos voltados a cães e gatos idosos, com fórmulas que buscam facilitar a mastigação, preservar a ingestão de nutrientes e manter o interesse pela comida. A Royal Canin e a Purina estão entre as empresas que investem em produtos especializados, em um mercado que segue crescendo apesar da inflação.

No centro de pesquisa da Royal Canin em Aimargues, no sul da França, gatos participam de testes de palatabilidade: recebem duas opções de ração seca em bandejas apoiadas sobre balanças, e os pesquisadores registram qual alimento escolhem e quanto comem. Os resultados ajudam nutricionistas a avaliar receitas e desenvolver fórmulas.

A empresa também mantém um centro de pesquisa em Ohio. Em Aimargues, os animais mais seletivos entre os 377 cães e gatos que vivem no local são escolhidos para os testes. Os pesquisadores observam o comportamento após as refeições, analisam a digestão e acompanham aspectos como disposição e qualidade das fezes.

O envelhecimento dos animais adotados em grande número durante a pandemia, em 2020, é uma das razões para a expansão de produtos específicos. A presidente da Royal Canin, Cécile Coutens, afirmou que essa etapa da vida representa uma oportunidade importante para o setor. A empresa oferece mousse extramacia para gatos com 11 anos ou mais e ração seca de fácil mastigação para os que têm a partir de 15 anos.

A dificuldade de mastigar pode tornar a textura da comida especialmente relevante para gatos idosos. As opções de alimento úmido, como mousse, têm consistência diferente da ração seca e podem ser mais fáceis de consumir. As empresas também pesquisam aromas e sabores para estimular animais que passam a demonstrar menos interesse pela comida.

Segundo Silvia Miret-Catalan, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Royal Canin, alguns receptores gustativos dos gatos desaparecem com a idade, embora eles continuem percebendo o amargor. A equipe desenvolve alimentos que reduzem essa característica e reforçam aromas atraentes, com o objetivo de preservar a aceitação da comida.

A pesquisa sobre paladar também considera o umami, um dos gostos percebidos pelos gatos. Scott McGrane, especialista em felinos do Waltham Petcare Science Institute, da Mars, disse que os gatos têm receptores capazes de detectar compostos umami. Segundo ele, a combinação desses compostos no atum produz o que descreveu como uma espécie de “superumami” para os animais.

A seletividade dos gatos ajuda a explicar o investimento em testes. Philipp Navratil, CEO da Nestlé, afirmou que a alimentação desses animais exige ciência e tecnologia para atender às suas preferências. Centros de pesquisa da Nestlé e da Royal Canin estudam o comportamento de cães e gatos, incluindo respostas a diferentes texturas e sabores.

O setor também aposta em alimentos premium e mais especializados, enquanto a inflação encarece a ração convencional. Há empresas que oferecem alimentos frescos com qualidade adequada para consumo humano. No ano passado, a Purina lançou um prato de pedaços macios em geleia, com formato de pirâmide, para incentivar os gatos a darem mordidas maiores.

Nos Estados Unidos, os consumidores gastaram mais de US$ 17 bilhões com alimentos para gatos no último ano, alta de 14% em relação ao mesmo período de dois anos antes, segundo a empresa de pesquisa de mercado NielsenIQ. As vendas de alimentos para cães permaneceram praticamente estáveis. Estudos citados no setor mostram que consumidores tendem a reduzir gastos pessoais antes de cortar despesas com seus animais.

O envelhecimento dos pets também amplia a demanda por cuidados veterinários. A Mars, dona da Royal Canin, adquiriu hospitais e clínicas veterinárias ao longo das últimas décadas e, segundo a KPMG, possui 6% dos estabelecimentos veterinários dos Estados Unidos. Cathy Bedrick, sócia da consultoria, afirmou que empresas com clínicas esperam mais negócios nos próximos anos, à medida que a população mundial de animais de estimação envelhece.

A escolha da alimentação deve considerar a idade e as necessidades do animal, mas os produtos citados não são apresentados como substitutos de orientação veterinária. O trabalho nos centros de pesquisa combina testes de preferência com avaliações de digestão e comportamento, para desenvolver alimentos que os animais aceitem e que atendam às demandas associadas ao envelhecimento.

Para entender

Palatabilidade
É a capacidade de um alimento agradar ao animal e estimular seu consumo. Em testes, pesquisadores apresentam diferentes opções e observam a escolha e a quantidade ingerida, informações que ajudam a avaliar receitas e formular produtos.
Umami
É um dos gostos básicos, associado a compostos presentes em alimentos como o atum. Pesquisadores estudam como os gatos percebem esses compostos e como o paladar influencia a aceitação dos alimentos.

Fontes: O Globo

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