Rogério Tomaz Jr. é barrado na Argentina após revogação de visto
O jornalista brasileiro soube da decisão ao chegar a Buenos Aires; autoridades alegam que ele não permaneceu no país nem tinha atividade laboral verificável.
Resumo em 30 segundos
Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina após a revogação de seu visto de residência permanente. O governo argentino aponta ausência prolongada do país e falta de atividade laboral verificável. O jornalista atribui a decisão a motivação política, pretende recorrer e diz que a medida interrompe projetos acadêmicos e profissionais.
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina na segunda-feira (12), ao chegar ao aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires. As autoridades informaram que seu visto de residência permanente havia sido revogado, e ele diz que a medida tem motivação política, por suas críticas ao presidente Javier Milei.
Tomaz, de 50 anos, recebeu o visto em janeiro de 2022 e afirma que visitava a Argentina ao menos uma vez por ano desde 2011. A Direção Nacional de Migrações justificou a revogação alegando que ele não permaneceu no país e não tem atividade laboral verificável. A legislação argentina prevê a perda da residência permanente quando o titular fica fora do território por um ano ou mais.
O jornalista soube da revogação somente ao tentar entrar no país. Segundo documentos apresentados por ele, a decisão foi assinada em 5 de agosto. Tomaz disse que não recebeu aviso prévio e afirmou que funcionários da Direção Nacional de Migrações foram à sua residência no começo daquele mês para perguntar por ele.
A restrição interrompe planos que incluíam concluir um mestrado em Mendoza, cobrir as eleições presidenciais do próximo ano e finalizar um livro sobre o governo Milei. Tomaz também foi à Argentina para uma última rodada de entrevistas relacionadas à obra. Ele afirmou que pretende recorrer da decisão.
A tensão que, segundo o jornalista, pode ter influenciado o caso aumentou depois de uma publicação feita em 22 de julho. Em um vídeo, Tomaz falou sobre o que descreveu como “uma onda de ódio aos brasileiros” na Argentina, em meio a manifestações de torcedores brasileiros contra a seleção argentina durante a Copa do Mundo deste ano. Na publicação, ele escreveu que argentinos que atacavam brasileiros eram “os mesmos que são contrários ao ensino público”.
Após o vídeo, contas alinhadas ao governo Milei, entre elas o canal Carajo Stream, o deputado Juan I. Fernandez e Juan Doe, diretor de comunicação da Presidência, fizeram ataques ao jornalista. Tomaz já criticava Milei antes de sua chegada à Presidência e também trabalha como assessor do deputado federal Alencar Santana (PT-SP).
A lei migratória argentina foi alterada em 2025. Desde então, estrangeiros expulsos por motivos que não sejam crimes podem ficar impedidos de entrar no país por pelo menos cinco anos. A regra também passou a prever expulsão ou restrição de entrada para estrangeiros que publiquem mensagens consideradas de ódio contra a população argentina ou seus símbolos nacionais. Segundo a Direção Nacional de Migrações, porém, essa norma não foi aplicada ao caso de Tomaz.
O diretor da Oficina de Resposta Presidencial, Juan Carreira, comentou o caso na rede social X. Ele escreveu que Tomaz teria de “viver quatro anos no Brasil de Flávio Bolsonaro sendo esquerdista” e comemorou a saída do jornalista da Argentina. A Casa Rosada e a chancelaria argentina não responderam a pedidos de manifestação até a publicação das informações sobre o caso.
A decisão ocorre após mais de uma década de vínculos do jornalista com o país, onde ele estudava a história argentina e construiu uma rede de amigos. Tomaz também viveu no país a final da Copa do Mundo de 2022, vencida pela Argentina, e acompanhou a ascensão política de Milei. Ele afirma que a proibição compromete seus projetos acadêmicos e profissionais no território argentino.