Ray Dalio vê queda prolongada dos títulos do Tesouro dos EUA
O investidor relaciona a pressão sobre os Treasuries à dívida crescente e à possível redução da demanda de compradores tradicionais, como China e Japão.
Resumo em 30 segundos
Ray Dalio afirma que a queda dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos pode continuar por um período prolongado. Ele aponta o aumento da dívida pública e corporativa e a possível redução da demanda de investidores tradicionais. O governo deve refinanciar cerca de US$ 10 trilhões em obrigações neste ano e emitir mais US$ 2,1 trilhões.
O investidor Ray Dalio afirmou que a queda dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, pode continuar por um período prolongado. Em publicação no LinkedIn nesta terça-feira, ele relacionou a pressão no mercado ao aumento da dívida pública e corporativa e à possibilidade de menor demanda de investidores tradicionais, como China e Japão.
Dalio, fundador da Bridgewater Associates, disse que a maior oferta de títulos tende a pressionar os rendimentos para cima. Rendimentos mais altos encarecem os empréstimos do governo e podem ampliar o custo de serviço da dívida, alimentando o endividamento. Na avaliação do investidor, esse ciclo só deve perder força quando juros elevados desacelerarem a economia e os mercados o suficiente para equilibrar oferta e procura.
Ele calcula que o governo americano deve refinanciar cerca de US$ 10 trilhões em obrigações que vencem neste ano e emitir mais US$ 2,1 trilhões em novos empréstimos. O risco, segundo Dalio, é que parte dos investidores não reinvista o dinheiro recebido quando os títulos vencerem, reduzindo os recursos disponíveis para financiar o governo.
O investidor também apontou que o Japão poderia estimular investidores locais a retirar recursos de títulos americanos e levá-los de volta ao país. As carteiras japonesas de Treasuries somam US$ 1,1 trilhão, segundo ele. Rendimentos maiores no Japão poderiam tornar os investimentos domésticos mais atraentes e favorecer a sustentação do iene e do mercado local de títulos.
A emissão de dívida por empresas é outra fonte de disputa pelo capital. Companhias têm buscado recursos para financiar a expansão da inteligência artificial, enquanto investidores passam a exigir condições mais favoráveis para absorver a oferta. Dalio chamou o mercado de crédito corporativo de um possível sinal antecipado de problemas.
A preocupação ocorre em um ano de perdas para os títulos do Tesouro. Um índice da Bloomberg que acompanha esses papéis recuou cerca de 2,4%, pressionado pela alta dos preços da energia, pela resiliência da economia e pelo aumento das emissões públicas e corporativas. Os títulos caminhavam para registrar a primeira queda anual desde 2022, quando perderam 12,5% durante a elevação agressiva dos juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
Dalio estima que o peso da dívida americana, considerando empréstimos e custos de pagamento em relação à receita do governo, atingiu o maior nível desde a Segunda Guerra Mundial e deve crescer nos próximos anos. A avaliação dele contrasta com a de investidores e estrategistas que veem oportunidades nos títulos após a alta dos rendimentos. O rendimento dos papéis de dez anos chegou, neste mês, perto de 5,4%, nível mais alto em quase um quarto de século.
Para entender
- Treasuries
- São títulos de dívida emitidos pelo governo dos Estados Unidos para captar recursos. Investidores que compram esses papéis emprestam dinheiro ao governo e recebem pagamentos conforme as condições do título. Seus rendimentos influenciam os custos de financiamento em outros mercados.