Partido das Baratas tem dois líderes presos em Nova Déli
Ashutosh Ranka e Saurav Das ficarão detidos por cinco dias após protestos contra a comissão eleitoral, acusada de manipular listas de eleitores.
Resumo em 30 segundos
A polícia de Nova Déli prendeu Ashutosh Ranka e Saurav Das, líderes do Partido Popular das Baratas (CJP), e obteve a detenção preventiva dos dois por cinco dias. Eles participaram de protestos contra a comissão eleitoral, que nega acusações de manipulação de cadastros. A revisão das listas excluiu mais de 133 milhões de nomes.
A polícia de Nova Déli prendeu Ashutosh Ranka, de 30 anos, e Saurav Das, de 27, líderes do Partido Popular das Baratas (CJP), e obteve a detenção preventiva dos dois por cinco dias nesta quarta-feira (14). As prisões ocorreram durante protestos contra a comissão eleitoral da Índia, acusada por manifestantes de manipular cadastros de eleitores em benefício do partido do primeiro-ministro Narendra Modi. A comissão nega irregularidades.
Segundo a polícia, os dois foram detidos por “supostas tentativas reiteradas de perturbar a ordem pública e violar a lei”. A corporação também afirmou que levou em conta publicações nas redes sociais que, segundo ela, convocavam outras pessoas a participar de atividades ilegais. A detenção poderá ser prorrogada após os cinco dias; os líderes também poderão ser libertados sob fiança ou soltos.
Na terça-feira (13), Ranka e Das pularam barricadas e ergueram a bandeira nacional em Jantar Mantar, área de Nova Déli tradicionalmente usada para manifestações. A polícia havia retirado o local, na segunda-feira (12), da lista de espaços autorizados para protestos. O ponto está isolado por barreiras metálicas e sob vigilância de agentes de segurança.
A mobilização reúne ativistas do CJP e partidos de oposição, que exigem a renúncia do chefe da comissão eleitoral. A entidade supervisiona as eleições do país. A revisão das listas de eleitores, iniciada no ano passado, retirou mais de 133 milhões de nomes dos cadastros. Autoridades eleitorais dizem que a medida busca eliminar registros fraudulentos, duplicados ou de pessoas mortas; críticos afirmam que as exclusões atingiram desproporcionalmente minorias, sobretudo muçulmanos.
Integrantes do Partido Bharatiya Janata (BJP), de Modi, alegam que imigrantes muçulmanos sem documentos vindos de Bangladesh foram incluídos ilegalmente nos registros. O ministro do Interior, Amit Shah, classificou os protestos como localizados e acusou o líder oposicionista Rahul Gandhi de seguir um “plano de ação para proteger infiltrados”. Shah também previu uma “maioria esmagadora” do governo nas próximas eleições gerais, previstas para 2029.
Gandhi, do Partido do Congresso e líder da oposição no Parlamento, declarou apoio aos manifestantes. Em publicação nas redes sociais, afirmou que agitar a bandeira indiana durante um protesto pacífico não é crime e chamou de “covardia” a prisão de jovens por esse motivo. Na quarta-feira, houve manifestações menores na capital; a polícia deteve participantes e os colocou em ônibus.
O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, convocou apoiadores para um novo ato na sexta-feira (16), em Connaught Place, perto de Jantar Mantar. Ele também pediu que pessoas de outras cidades organizem marchas. A Human Rights Watch cobrou do governo a garantia do direito a protestos pacíficos e pediu diálogo sobre as preocupações com o direito ao voto e a lisura das eleições.
Uma manifestante identificada apenas como Atira afirmou em entrevista coletiva que foi levada a um centro de detenção e agredida por policiais. Ela relatou ter recebido socos e chutes. Defensores dos direitos humanos e críticos do governo dizem que as liberdades democráticas foram enfraquecidas durante os mais de dez anos de Modi no poder, citando pressões sobre jornalistas, organizações da sociedade civil e adversários políticos. O governo rejeita essas acusações.
Para entender
- Partido Bharatiya Janata
- O BJP é um partido político indiano associado ao nacionalismo hindu. Narendra Modi é uma de suas principais lideranças. A legenda é citada no debate sobre as exclusões dos cadastros eleitorais e as acusações de inclusão irregular de imigrantes.
- Jantar Mantar
- Jantar Mantar é um conjunto histórico de instrumentos astronômicos em Nova Déli. A área também é conhecida como espaço de manifestações e concentrações públicas, embora o acesso para protestos possa ser sujeito a restrições das autoridades.