Parti Québécois pode voltar ao governo e convocar referendo em Quebec
Eleitores escolhem nesta segunda-feira o novo governo provincial; pesquisas apontam maioria para o partido, mas o apoio à independência canadense segue minoritário.
Resumo em 30 segundos
O Parti Québécois pode voltar ao governo de Quebec após mais de uma década, com pesquisas indicando chance de maioria na Assembleia Nacional. Seu líder, Paul St-Pierre Plamondon, promete convocar um referendo sobre a independência após a saída de Donald Trump da Presidência dos Estados Unidos. Cerca de 30% dos eleitores apoiam a separação.
Os eleitores de Quebec votam nesta segunda-feira, 5 de outubro, em uma eleição provincial que pode levar o Parti Québécois, favorável à independência da província, de volta ao governo após mais de uma década. Pesquisas recentes indicam que a legenda pode conquistar a maioria das 127 cadeiras da Assembleia Nacional, resultado que lhe daria condições políticas para convocar um referendo sobre a separação do Canadá nos próximos anos.
O líder do partido, Paul St-Pierre Plamondon, prometeu realizar a consulta depois que Donald Trump deixar a Presidência dos Estados Unidos. A ideia, segundo ele, é esperar que a economia esteja mais estável. No fim de semana, Plamondon pediu um mandato de quatro anos com maioria parlamentar e afirmou que um governo minoritário teria dificuldade para cumprir as promessas de campanha.
Entre as prioridades anunciadas para os primeiros cem dias de um eventual governo estão reduzir impostos, limitar a imigração e diminuir o número de pessoas em situação de rua. Plamondon também disse que pretende melhorar a eficiência da administração pública. A independência, porém, não aparece entre as principais preocupações dos eleitores, que incluem o custo dos alimentos e a guerra comercial com os Estados Unidos.
A perspectiva de mudança após oito anos de governo da Coalition Avenir Québec, de centro-direita, contribui para a vantagem do Parti Québécois. A atual primeira-ministra, Christine Fréchette, assumiu em abril, depois da renúncia de François Legault. A divisão dos votos entre outros quatro grandes partidos também favorece a legenda separatista.
O compromisso de convocar um terceiro referendo pode, ao mesmo tempo, limitar o alcance do partido. O cientista político Éric Bélanger, da Universidade McGill, disse que a proposta não deve impedir uma vitória, mas pode restringir o tamanho do avanço eleitoral. Em pesquisas recentes, cerca de 30% dos eleitores de Quebec apoiam a independência, proporção descrita como uma das mais baixas em décadas.
O Parti Québécois já esteve à frente de duas consultas sobre a separação, em 1980 e 1995; ambas foram derrotadas. A dificuldade de ampliar o apoio também aparece em áreas com histórico separatista, como Limoilou, na cidade de Quebec. Plamondon argumenta que a imigração crescente e a oposição à independência entre a maioria dos moradores não francófonos tornam urgente a tentativa de soberania.
Fundado em 1968, o partido é o principal representante político do movimento independentista, que ganhou força durante a Revolução Tranquila e se vincula à língua e à cultura francófonas. O sociólogo Jacques Beauchemin, da Universidade do Quebec em Montreal, avalia que a sociedade mudou e que o projeto perdeu força. Já Claude Villeneuve, candidato do partido a deputado provincial, aposta que imigrantes e seus filhos poderão apoiar a causa à medida que se integrem a uma cultura comum.
A eleição não torna a província independente: um eventual governo do Parti Québécois teria de conduzir o processo político que culminaria em um novo referendo. O partido busca, portanto, um mandato que lhe permita avançar com a promessa, embora o apoio atual à separação seja minoritário.
Para entender
- Parti Québécois
- Partido político de Quebec fundado em 1968 e principal representante do movimento que defende a independência da província em relação ao Canadá. A legenda já esteve à frente de duas consultas sobre a separação, em 1980 e 1995; ambas foram derrotadas.
- Revolução Tranquila
- Período de mudanças sociais, políticas e econômicas ocorrido em Quebec a partir da década de 1960. A transformação fortaleceu a afirmação da identidade francófona e contribuiu para o crescimento do movimento independentista.