Navi Pillay vence o Nobel da Paz de 2026 por defesa da Justiça
A ex-alta comissária da ONU foi reconhecida por seu trabalho para responsabilizar autores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Resumo em 30 segundos
A jurista sul-africana Navi Pillay recebeu o Nobel da Paz de 2026 por sua atuação em defesa dos direitos humanos e da responsabilização por crimes internacionais. Ex-alta comissária da ONU, ela foi juíza em tribunais internacionais e atualmente integra a Corte Internacional de Justiça, que analisa o caso de genocídio contra os rohingya em Mianmar.
A jurista sul-africana Navi Pillay recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026, anunciado nesta sexta-feira, 9, em Oslo, na Noruega. Ex-alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, ela é atualmente juíza da Corte Internacional de Justiça (CIJ), em um caso sobre acusações de genocídio contra Mianmar.
O Comitê Nobel Norueguês afirmou que Pillay teve papel importante para que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam julgados. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, disse que a jurista contribuiu para uma ordem jurídica global mais abrangente e que seu trabalho inspira quem busca um mundo pacífico.
Frydnes declarou que o prêmio foi concedido em um momento de pressão sobre o direito internacional e suas instituições. Segundo ele, há uma mudança em direção à política de poder, em prejuízo das estruturas jurídicas e do respeito ao direito e à Justiça. O comitê informou que ainda não havia conseguido falar com Pillay para avisá-la da premiação.
Aos 85 anos, Pillay tem uma trajetória ligada à defesa de direitos humanos e à responsabilização por crimes internacionais. Em 1973, como advogada na África do Sul, ajudou a assegurar que presos políticos, entre eles Nelson Mandela, tivessem acesso a advogados. Durante 28 anos de atuação no país, defendeu opositores do apartheid, regime de segregação racial, e denunciou tortura e condições de detenção de presos políticos.
Em 1995, durante a Presidência de Mandela, tornou-se a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte sul-africana. Mais tarde, atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que julgou responsáveis pelo genocídio de 1994, e da Corte Penal Internacional. De 2008 a 2014, comandou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, órgão encarregado de promover e acompanhar a proteção desses direitos.
Pillay também presidiu uma comissão independente de investigação da ONU que acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense nega as acusações. Na CIJ, ela atua como juíza em um processo no qual Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya. A corte é o principal órgão judicial das Nações Unidas e examina disputas entre Estados.
O comitê recebeu 287 indicações para o prêmio deste ano, pouco mais de um quarto delas para organizações. As indicações podem ser feitas por um grupo restrito, que inclui chefes de Estado, parlamentares, professores universitários, vencedores anteriores do Nobel e integrantes do próprio comitê.
A premiação de 2026 marca 125 anos do Nobel, criado em 1901. No ano passado, a vencedora foi a líder oposicionista venezuelana María Corina Machado, reconhecida por sua luta por uma transição democrática. O Comitê Nobel já declarou que a honraria não pode ser transferida, embora Machado tenha entregado simbolicamente sua medalha ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Nobel da Paz já foi concedido a 112 pessoas e 28 organizações. A Cruz Vermelha recebeu o prêmio três vezes, e a agência de refugiados da ONU, duas. Entre os laureados individuais, 20 foram mulheres. O anúncio do prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel está previsto para segunda-feira.
Para entender
- Corte Internacional de Justiça
- Principal órgão judicial das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça resolve disputas jurídicas entre Estados e pode emitir pareceres consultivos. Sua sede fica em Haia, nos Países Baixos. Não deve ser confundida com o Tribunal Penal Internacional, que julga pessoas acusadas de crimes internacionais.