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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Lula intensifica campanha de rua e nas redes para segundo turno

Após terminar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o presidente reorganiza a equipe, amplia atos pelo país e aposta em vídeos e mobilização digital.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Multidão participa de ato político na avenida Paulista, em São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Multidão participa de ato político na avenida Paulista, em São Paulo.
Resumo em 30 segundos

Lula intensificou a campanha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, com atos em 77 cidades, novas tarefas para aliados e vídeos nas redes. A equipe também busca eleitores que rejeitam os dois candidatos, reforça mensagens sobre segurança pública e pretende ampliar a votação em estados e locais com maior abstenção.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a campanha nas ruas e nas redes sociais após terminar atrás do senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição. Nos últimos dias, Lula participou de atos, reorganizou tarefas entre aliados e passou a gravar vídeos em formato de selfie para mobilizar eleitores antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A reação incluiu manifestações em 77 cidades, com caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens. O ato realizado na avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11), ocupou grande parte da via e foi apontado como a maior mobilização da esquerda no local desde os protestos contra o governo de Jair Bolsonaro. Não houve estimativa oficial de público.

Lula voltou a participar de agendas de rua cinco dias depois da votação do primeiro turno e decidiu, com menos de 12 horas de antecedência, comparecer ao ato paulistano. Ao lado dele estavam os governadores reeleitos Rafael Fonteles, do Piauí, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Elmano de Freitas, do Ceará, que ganharam espaço na campanha presidencial nesta etapa.

O presidente também ampliou o número de tarefas assumidas diretamente. Ele passou a aprovar roteiros de caminhadas e a assistir antes à exibição dos programas eleitorais. Na avaliação de Lula, a campanha do primeiro turno foi “a campanha menos organizada que eu participei desde 1989”.

O presidente nacional do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (13) que houve falhas no diálogo com setores que apoiaram Lula em 2022. Em entrevista à rádio CBN, ele disse que a reconstrução de políticas públicas e a reorganização do governo podem ter reduzido a atenção dedicada a esses grupos. Defendeu que a campanha retome a interlocução.

Edinho também afirmou que a estratégia de dar mais autonomia às coordenações estaduais não produziu a integração esperada, especialmente na distribuição de materiais. Segundo ele, a candidatura montou palanques nas 27 unidades da federação, mas não conseguiu coordenar as estruturas locais de forma conjunta. O dirigente declarou que essas dificuldades foram superadas.

Na reorganização da campanha, o vice-presidente Geraldo Alckmin deve percorrer o país para buscar eleitores que rejeitam Lula, mas também não querem votar em Flávio. O ex-ministro Fernando Haddad, derrotado na disputa pelo governo de São Paulo, assumiu a coordenação petista no estado. O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, fará atividades no Sul, no Sudeste e na periferia da capital paulista.

A campanha pretende ampliar a votação em estados onde Lula já tem uma base expressiva, como Bahia, Ceará e Pernambuco, e visitar locais com maior abstenção ou onde a diferença para Flávio foi pequena. Também recalibrou as mensagens sobre segurança pública e ampliou críticas ao senador nos programas eleitorais. Em uma das formulações adotadas por Lula, “para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão”.

Outra frente busca conversar com grupos que, segundo a campanha, rejeitam a candidatura. Lula anunciou medidas para perdoar dívidas de microempreendedores e tenta se aproximar de caminhoneiros. A equipe determinou que integrantes da campanha participem diariamente de ações presenciais.

A mobilização digital envolve aliados eleitos e iniciativas independentes. Deputados jovens, entre eles Ana Elisa, Guilherme Cortez, Jones Manoel, Luna Zarattini e Renato Freitas, foram encarregados de viajar pelo país, colaborar com estratégias para redes sociais e ajudar na propaganda eleitoral. Eles também fazem a ligação com estudantes secundaristas e universitários que lideram atos de apoio a Lula.

O deputado federal reeleito André Janones passou a concentrar esforços no grupo “Exército do Lula”, no WhatsApp, que superou 4 milhões de seguidores em uma semana. Após uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que determinou a retirada do canal do ar, o grupo foi registrado na Justiça Eleitoral como parte da campanha. Janones havia afirmado que iniciou a iniciativa por conta própria, inspirado em estratégias usadas pela direita nas redes.

Um coletivo de profissionais de tecnologia criou o “Radar da Virada”, página que acompanha tendências e menções a Lula e Flávio nas redes. Os responsáveis dizem que o projeto é voluntário e não tem vínculo com campanhas. Influenciadores, produtores de conteúdo e fã-clubes também publicam materiais para tentar convencer eleitores e estimular a participação de quem não votou no primeiro turno; o movimento “Fandoms com Lula” reúne, segundo sua porta-voz, mais de mil fã-clubes brasileiros.

Edinho disse que Lula pretende participar dos debates do segundo turno previstos pela Band, no dia 18, e pela TV Globo, no dia 23. Segundo o dirigente, o presidente quer confrontar diretamente Flávio Bolsonaro nos encontros.

Fontes: Folha de S.Paulo, Estadão, Valor Econômico

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