Judeus pela Democracia declara apoio à reeleição de Lula e Alckmin
Em ato em São Paulo, Geraldo Alckmin defendeu buscar eleitores de centro e da classe média para tentar reverter a desvantagem no segundo turno.
Resumo em 30 segundos
O coletivo Judeus pela Democracia declarou apoio à reeleição de Lula e Geraldo Alckmin em um ato na Casa do Povo, em São Paulo. Alckmin pediu diálogo com eleitores independentes, de centro e da classe média, enquanto Simone Tebet criticou notícias falsas e alertou para riscos à democracia. Marina Silva também participou.
O grupo Judeus pela Democracia declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin neste sábado, em um ato na Casa do Povo, no Bom Retiro, região central de São Paulo. Alckmin afirmou que a chapa pode reverter a desvantagem no segundo turno e defendeu buscar eleitores de centro e da classe média.
“Em política não se obriga, se conquista”, disse Alckmin. Para ampliar o apoio, afirmou, é preciso conversar com eleitores independentes e explicar os possíveis efeitos de propostas do adversário. “A população quer mudança, mas não pode ser mudança para pior, para piorar a vida da população”, declarou.
O vice-presidente citou a disputa pelo governo de São Paulo em 1994, quando concorreu ao lado de Mário Covas. Segundo Alckmin, a chapa estava dez pontos atrás ao chegar ao segundo turno e virou o resultado quatro dias antes da votação. Ele também afirmou que a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno foi de 2,2 milhões de votos e lembrou que 33 milhões de eleitores se abstiveram.
No ato, Alckmin reconheceu a necessidade de ajuste fiscal, mas defendeu que eventuais cortes atinjam supersalários, e não a população de baixa renda. Ele afirmou que 70% dos aposentados e pensionistas recebem um salário mínimo, de R$ 1.621, e criticou propostas de redução de benefícios.
A mobilização ocorreu na Casa do Povo, centro cultural fundado em 1946 e historicamente ligado a judeus progressistas. O coletivo já havia divulgado em agosto, nas redes sociais, um manifesto de apoio à candidatura petista. O ato também buscou se contrapor a judeus que apoiam Flávio Bolsonaro, candidato do PL.
As ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva participaram do encontro. Tebet afirmou que apoia Lula e Alckmin por considerar que a democracia está em risco. Ela citou uma imagem de Flávio Bolsonaro inspirada na iconografia do ditador fascista italiano Benito Mussolini, compartilhada em um grupo de WhatsApp do PL, segundo relatou no evento.
Tebet também criticou a circulação de notícias falsas e disse que a democracia pode ser enfraquecida gradualmente. “Sem comunicação e com fake news. Vocês sabem qual é o próximo passo”, afirmou. A fala foi uma crítica política da ex-ministra; a imagem mencionada havia sido compartilhada em um grupo do partido do candidato.
A campanha de Lula tem buscado ampliar o diálogo com segmentos religiosos e com eleitores de centro. Na quinta-feira (8), Alckmin participou de uma transmissão da plenária “Povo de Deus com a Democracia”. Ele também tinha visita marcada à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), para segunda-feira (12), feriado da Padroeira.
O ajuste das contas públicas e a preservação de programas sociais estão entre os temas que ganharam espaço na disputa. Em um segundo mandato, a aprovação de medidas dependeria também do Congresso, que pode alterar projetos durante a tramitação. Propostas de emenda à Constituição exigem ao menos três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos, e, depois de aprovadas, são promulgadas pelo próprio Legislativo.
A disputa também envolve a política externa. Na quinta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversou com Flávio e o convidou a visitar o país para “renovar a profunda amizade” entre Brasil e Israel. Lula, por sua vez, mantém uma relação tensa com Netanyahu e critica a ofensiva israelense em Gaza. O presidente já chamou a campanha militar no território palestino de “genocídio” e disse, em outubro do ano passado, que o Brasil não tem problemas com Israel, mas com o primeiro-ministro.
Para entender
- Casa do Povo
- Centro cultural localizado no Bom Retiro, em São Paulo, fundado em 1946. Sua história está ligada à comunidade judaica progressista e a iniciativas culturais, políticas e de memória.