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Sábado, 3 de outubro de 2026

Irlanda e Israel voltam a jogar após protestos ligados à guerra em Gaza

Irlanda e Israel se enfrentam neste domingo, 4, na Sérvia, poucos dias depois de protestos em campo e de declarações sobre a guerra em Gaza.

Por Felipe Rocha 3 min de leitura
Jogadores de futebol com braçadeiras pretas perfilados no campo antes de uma partida internacional. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jogadores de futebol com braçadeiras pretas perfilados no campo antes de uma partida internacional.
Resumo em 30 segundos

Irlanda e Israel se enfrentam neste domingo, na Sérvia, após uma partida vencida pelos irlandeses por 3 a 0 e marcada por protestos ligados à guerra em Gaza. A posição irlandesa de apoio à criação de um Estado palestino é anterior ao conflito atual e se relaciona, segundo um professor, à história política do país.

Irlanda e Israel voltam a se enfrentar neste domingo, 4, pela Liga das Nações da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), em Bačka Topola, na Sérvia. O jogo ocorre poucos dias após a vitória irlandesa por 3 a 0, marcada por manifestações dos atletas e declarações relacionadas ao conflito na Faixa de Gaza. A sequência de partidas expôs tensões políticas entre os países que antecedem os confrontos esportivos.

Antes do primeiro jogo, Heimir Hallgrimsson, técnico da seleção irlandesa, afirmou que entraria em campo “contra o genocídio”. O goleiro Gavin Bazunu também deixou a concentração e não disputou a partida, por motivos morais ligados ao conflito, segundo a matéria de origem.

No início do confronto, os jogadores da Irlanda mantiveram a cabeça baixa durante o hino israelense, usaram braçadeiras pretas e não participaram do cumprimento tradicional entre as equipes. As braçadeiras foram apresentadas como sinal de luto pelas mortes em Gaza. O Ministério da Saúde local contabiliza mais de 74 mil palestinos mortos desde 2023; os dados foram registrados pelo escritório humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU).

O posicionamento irlandês sobre a Palestina tem raízes anteriores à guerra atual. Desde 1980, o país apoia a criação de um Estado palestino e foi o primeiro integrante da então Comunidade Europeia a defender essa proposta. Em maio de 2024, a Irlanda reconheceu oficialmente a Palestina.

Rodrigo Augusto Duarte Amaral, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirmou que o reconhecimento não foi apenas uma resposta aos acontecimentos recentes. “O reconhecimento da Palestina em maio de 2024 não é puramente uma reação ao genocídio. Há manifestações anteriores que demonstram que o governo irlandês simpatizava com o reconhecimento de uma Palestina livre”, disse.

Em 2022, a Irlanda esteve entre os países europeus que criticaram planos israelenses de construir mais de 4 mil unidades habitacionais na Cisjordânia. Em declaração conjunta, os governos afirmaram que os assentamentos violavam o direito internacional e dificultavam a criação de um Estado palestino.

A opinião pública também demonstra maior identificação com a causa palestina. Uma pesquisa publicada em 2026 na Revista Britânica de Política e Relações Internacionais ouviu 1.547 pessoas na República da Irlanda, em dezembro de 2023. Cinquenta e três por cento disseram ter mais simpatia pelos palestinos, e 11% indicaram maior simpatia pelos israelenses. Outros 31% declararam simpatia pelos dois lados; uma parcela menor não soube ou preferiu não responder.

Amaral relaciona essa percepção à história irlandesa, marcada pelo domínio britânico, pela luta pela independência, pela divisão da ilha e pelo conflito na Irlanda do Norte. Segundo ele, essas experiências colocaram temas como soberania, ocupação e autodeterminação no centro da memória política do país e ajudam a compreender a solidariedade de parte da população com os palestinos.

O professor também apontou uma conexão histórica: a Palestina esteve sob administração britânica. A presença do Reino Unido na região começou em 1917, e o Mandato Britânico da Palestina foi formalizado pela Liga das Nações em 1922. O mandato terminou em 1948.

As relações diplomáticas também foram afetadas. Israel anunciou em dezembro de 2024 que fecharia sua embaixada em Dublin. A Irlanda lamentou a decisão, mas afirmou que os dois países manteriam relações diplomáticas.

Para Amaral, o futebol amplia a visibilidade de disputas políticas porque seleções representam países diante de públicos internacionais. Ele avalia, porém, que o efeito de uma partida tende a ser simbólico, sem alterar diretamente as decisões de governos. “Uma partida de futebol por si só dificilmente vai alterar a política externa de um Estado, mas seu impacto está exatamente na capacidade de tornar essa questão política visível, mobilizar a opinião pública e produzir imagens que circulam internacionalmente”, afirmou.

Quem é quem

Irlanda
País europeu cuja capital é Dublin. Desde 1980, mantém apoio à criação de um Estado palestino e reconheceu oficialmente a Palestina em maio de 2024, conforme as informações da matéria.
Israel
País do Oriente Médio envolvido em tensões diplomáticas com a Irlanda relacionadas à posição irlandesa sobre a Palestina. Israel anunciou em dezembro de 2024 o fechamento de sua embaixada em Dublin, mantendo-se relações diplomáticas entre os países.
Liga das Nações da Uefa
Competição internacional de futebol de seleções organizada pela União das Federações Europeias de Futebol. O torneio reúne equipes nacionais europeias, e os jogos entre Irlanda e Israel descritos na notícia foram realizados na Sérvia.

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