HS Dignity afunda após ataque de drones perto da costa búlgara
Onze tripulantes estão desaparecidos e cinco foram resgatados; outro cargueiro atingido na mesma madrugada teve os 15 marinheiros salvos.
Resumo em 30 segundos
O cargueiro HS Dignity, de bandeira da Guiné-Bissau, afundou após ser atingido por drones perto da costa da Bulgária. Onze tripulantes estão desaparecidos e cinco foram resgatados. Outro navio, o Chelsea-3, também foi atingido, mas todos os seus tripulantes foram salvos. O governo búlgaro convocou a embaixadora russa, sem atribuir formalmente a responsabilidade pelos ataques.
Onze tripulantes do cargueiro HS Dignity estavam desaparecidos nesta terça-feira, 13 de outubro, depois que a embarcação afundou em um ataque de drones perto da costa da Bulgária, no Mar Negro. Outros cinco marinheiros foram resgatados, e uma operação de busca e salvamento estava em andamento na região de Krapets, próximo à fronteira com a Romênia. O navio tinha bandeira da Guiné-Bissau.
Outro cargueiro, o Chelsea-3, de bandeira maltesa, também foi atingido por três drones durante a madrugada. Os 15 tripulantes — sete ucranianos e oito azerbaijanos — foram resgatados. Cinco receberam atendimento por ferimentos leves, segundo o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev; nenhum sofreu ferimentos graves.
O HS Dignity seguia para o porto romeno de Brăila e estava parcialmente carregado, de acordo com dados de rastreamento marítimo. Antes, havia passado pelo porto argelino de Mostaganem. O Chelsea-3 também transportava carga e havia feito escala no porto romeno de Tulcea em 3 de outubro.
Radev convocou a embaixadora russa na Bulgária, Eleonora Mitrofanova, após os ataques. O governo búlgaro não atribuiu formalmente a responsabilidade a Moscou. O premiê disse, porém, que o resultado dos incidentes “beneficia a Federação Russa” e afirmou em pronunciamento televisionado: “Isso é absolutamente inaceitável: mais um ataque nas imediações das águas territoriais da Bulgária”.
Após se reunir com Radev, Mitrofanova afirmou que não havia recebido informações do Ministério da Defesa russo sobre ataques a embarcações comerciais no Mar Negro e não descartou que os incidentes fossem uma provocação de terceiros. Moscou não havia comentado publicamente os novos episódios.
A Ucrânia e a União Europeia condenaram os ataques. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o Mar Negro se tornou “mais uma frente de escalada da guerra russa na Ucrânia” e disse que os responsáveis devem ser responsabilizados. O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, declarou que o ataque demonstra desprezo pela vida de civis e acusou Moscou de ameaçar uma rota importante para a segurança alimentar global.
Radev pediu apoio para reforçar a vigilância marítima e aérea da Bulgária em conversas telefônicas com von der Leyen e com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte. Rutte afirmou que a aliança continuará ajustando sua presença militar no flanco oriental conforme necessário. Os ministros da Defesa da Bulgária, da Romênia e da Turquia também conversaram sobre a segurança no Mar Negro.
O naufrágio ocorreu uma semana depois de outro navio afundar após ser atingido por drones na zona econômica exclusiva búlgara. Nove marinheiros sírios e um egípcio desapareceram naquele episódio. Uma zona econômica exclusiva é uma área marítima na qual um país tem direitos específicos sobre recursos e atividades econômicas, embora não corresponda às águas territoriais sob soberania plena.
A guerra entre Rússia e Ucrânia ampliou os riscos para o transporte comercial no Mar Negro, rota estratégica para a exportação de grãos. Ataques russos a portos ucranianos levaram Kiev a depender mais de instalações fluviais no Danúbio e de rotas próximas às costas da Bulgária e da Romênia, integrantes da Otan. A Ucrânia também intensificou ataques contra embarcações russas usadas no transporte de grãos.
Para entender
- Zona econômica exclusiva
- Área marítima além das águas territoriais em que um país tem direitos específicos para explorar recursos e exercer atividades econômicas. Ela não equivale a território nacional sob soberania plena, embora o Estado costeiro tenha responsabilidades e direitos previstos no direito internacional.
- Mar Negro
- Mar interior entre a Europa Oriental e a Ásia Ocidental, ligado ao Mediterrâneo pelo estreito de Bósforo. É uma rota importante para o transporte de mercadorias, incluindo grãos, e banha países como Bulgária, Romênia, Ucrânia, Rússia e Turquia.