Pular para o conteúdo
Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Hackers alteram refrigeração de 350 supermercados na França

O ataque elevou a temperatura de equipamentos no domingo, levou lojas a descartar alimentos e é investigado por autoridades francesas; autores seguem desconhecidos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Funcionários verificam equipamentos de refrigeração em um supermercado francês. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Funcionários verificam equipamentos de refrigeração em um supermercado francês.
Resumo em 30 segundos

Um ataque cibernético alterou os sistemas de refrigeração de pelo menos 350 supermercados franceses no domingo (11), afetando redes como Carrefour, Intermarché, Monoprix e Coopérative U. Algumas lojas descartaram alimentos, enquanto outras conseguiram estabilizar os equipamentos. A investigação não identificou os responsáveis nem confirmou como os invasores acessaram os sistemas.

Hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração em pelo menos 350 supermercados franceses, alterando a temperatura de equipamentos e levando lojas a descartar carnes e produtos congelados. O ataque, ocorrido no domingo (11), atingiu unidades de redes como Carrefour, Intermarché, Monoprix e Coopérative U; os responsáveis ainda não foram identificados.

A investigação é conduzida pela unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria de Paris, que tem competência nacional, e ocorre com participação da agência francesa de segurança cibernética. Nenhum grupo reivindicou a ação e, até esta terça-feira (13), não havia registro de pedido de resgate. As autoridades ainda não divulgaram como os invasores acessaram os sistemas.

O número de lojas atingidas varia conforme a rede. Dominique Schelcher, executivo-chefe da Coopérative U, disse à rádio RTL que cerca de 80 das 2.000 unidades do grupo foram afetadas. O total informado para o conjunto das redes é de pelo menos 350 estabelecimentos, uma parcela pequena do parque de supermercados francês.

Em algumas lojas, funcionários conseguiram intervir para estabilizar os equipamentos, enquanto outras descartaram alimentos. Em uma unidade do Intermarché na localidade de Le Haye, no noroeste da França, o gerente Julien Fréret relatou que alguns refrigeradores chegaram a 80°C, derretendo equipamentos e destruindo produtos. O grupo Mousquetaires, proprietário do Intermarché e do Netto, afirmou que os itens armazenados nas unidades afetadas foram retirados rapidamente e que as operações estavam sendo normalizadas de forma gradual.

Os equipamentos comprometidos usavam programas da dinamarquesa Danfoss e também da Copeland e da Dixell, segundo a agência francesa de segurança cibernética. A Danfoss informou que muitas unidades afetadas já não recebiam atualizações de segurança ou funcionavam com firmware desatualizado. Firmware é o software básico que controla o funcionamento de um aparelho; manter versões antigas pode deixar falhas conhecidas sem correção.

Pesquisadores da empresa de segurança Claroty divulgaram em agosto falhas em um controlador da Danfoss que poderiam permitir contornar etapas de autenticação e executar comandos em dispositivos comprometidos. A empresa corrigiu os problemas em atualizações. Analistas apontam que equipamentos sem atualização e interfaces expostas diretamente à internet podem facilitar invasões, embora o método usado neste ataque não tenha sido confirmado publicamente.

A Danfoss orientou clientes a manter sistemas com suporte atualizados e a substituir equipamentos antigos por soluções atuais. A Copeland, proprietária da Dixell, não confirmou detalhes técnicos e disse que sua prioridade é preservar a continuidade das operações dos clientes. A plataforma de monitoramento Shodan identificou ao menos 4.500 interfaces da Danfoss acessíveis pela internet nesta terça-feira; não foi possível verificar quantas usam versões vulneráveis.

Schelcher classificou o episódio como um ataque “sem precedentes” e “extremamente grave” para a segurança alimentar, mas afirmou que poucas lojas do grupo foram afetadas e que as perdas de alimentos foram limitadas. A identidade dos autores e a motivação permanecem desconhecidas. Especialistas observam que a falta de reivindicação e de exigência financeira não corresponde ao padrão comum de ataques destinados a extorquir vítimas.

O caso francês não tem relação identificada com o incidente separado que afetou a varejista holandesa Ahold Delhaize. O órgão de segurança cibernética dos Países Baixos disse não ver indícios de conexão entre os episódios. A empresa informou que iniciou uma retomada controlada de alguns sistemas após problemas detectados na noite de domingo, mas seus sites de comércio eletrônico na Holanda e nos Estados Unidos continuavam fora do ar nesta terça-feira.

Para entender

Firmware
É o software básico que controla o funcionamento de um aparelho ou equipamento. Como outros programas, pode receber atualizações para corrigir falhas de segurança; dispositivos que continuam com versões antigas podem permanecer vulneráveis a problemas já conhecidos.
Procuradoria de Paris
Órgão do Ministério Público francês que atua em investigações e processos judiciais. Sua unidade especializada em crimes cibernéticos tem competência para conduzir casos de alcance nacional, como a investigação do ataque a supermercados.

Fontes: Valor Econômico, Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também