Governo Milei apoia Flávio Bolsonaro e prevê vitória no segundo turno
Em coletiva em Buenos Aires, o porta-voz Adrián Ravier também criticou a decisão sobre Eduardo Bolsonaro, condenado a quatro anos em regime semiaberto.
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O governo de Javier Milei declarou apoio explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro e disse estar otimista com sua vitória no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Em coletiva, o porta-voz argentino Adrián Ravier também criticou a decisão sobre Eduardo Bolsonaro, mas afirmou que não comentaria questões da Justiça brasileira.
O governo de Javier Milei declarou nesta terça-feira (13) apoio explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil e disse estar otimista com a vitória do senador no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A manifestação foi feita pelo porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, em Buenos Aires, durante entrevista coletiva.
“Com certeza, é explícito o apoio de Javier Milei por Bolsonaro e a ideia de que o Brasil possa também se somar às economias que estão abraçando as ideias da liberdade”, afirmou Ravier. “Somos otimistas para o segundo turno, e o resultado será visto em breve”, acrescentou, em referência à disputa entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Milei já havia apoiado publicamente Flávio em outras ocasiões. No fim de julho, participou da convenção do PL em São Paulo que confirmou o senador como candidato. Na ocasião, chamou Lula de “ladrão” e “presidiário”. Depois, fez outras críticas ao presidente brasileiro, inclusive acusações de interferência em eleições de outros países e de conduzir uma campanha “anti-Argentina”.
As declarações contribuíram para o desgaste diplomático entre os dois países. O Brasil decidiu que seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará à Argentina. Em agosto, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou que a normalização das relações dependeria de Milei interromper as “agressões” contra Lula.
Em setembro, após discursar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Milei voltou a comentar a eleição brasileira. Disse esperar que o país abandone o que chamou de “curso socialista decadente” e adote “as ideias da liberdade”.
Na coletiva desta terça-feira, Ravier também comentou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Moraes determinou na semana passada que o ex-deputado, que está nos Estados Unidos, comece a cumprir pena de quatro anos de prisão em regime semiaberto por acusações de coação no curso do processo.
“Nos chama a atenção como atuou a Justiça em relação ao irmão do candidato a presidente Bolsonaro, o oportunismo dessa questão que acaba de surgir. Mas, além disso, nós não vamos opinar sobre questões de outro país e da Justiça de outro país”, disse o porta-voz.
O regime semiaberto é uma modalidade de cumprimento de pena que permite ao condenado trabalhar ou estudar fora da unidade prisional durante o dia, sujeito às regras estabelecidas pela Justiça. Ravier, porém, não detalhou se a crítica se referia a algum aspecto específico da decisão; afirmou que o governo argentino não comentaria questões da Justiça brasileira.
Para entender
- Regime semiaberto
- Modalidade de cumprimento de pena em que a pessoa condenada pode trabalhar ou estudar fora da unidade prisional durante o dia, conforme as regras determinadas pela Justiça.