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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Áudio atribuído a Vorcaro diz que aporte no filme de Lula superou US$ 10 milhões

A gravação compara o suposto pagamento ao patrocínio de Dark Horse, mas não informa valores; PF e PGR negam que o relato conste da delação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Câmera em um set de filmagem preparado para uma entrevista documental. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Câmera em um set de filmagem preparado para uma entrevista documental.
Resumo em 30 segundos

Em um áudio divulgado nesta sexta-feira, Daniel Vorcaro afirma ter colocado dinheiro na produção de um documentário sobre Lula e diz que o valor teria superado os US$ 10 milhões destinados a Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A gravação não detalha o aporte, e PF e PGR dizem que o relato não foi apresentado na delação.

Daniel Vorcaro afirmou, em um áudio divulgado nesta sexta-feira, que colocou dinheiro na produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A gravação, cuja voz foi reconhecida por um dos advogados do banqueiro, não traz valores nem elementos que comprovem o relato; a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negam que ele tenha apresentado essas informações em uma delação premiada.

No trecho, Vorcaro compara o suposto aporte ao patrocínio do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e diz que o valor destinado ao documentário sobre Lula teria sido maior do que os US$ 10 milhões pagos à produção ligada a Bolsonaro. Ele afirma que o primeiro pagamento ocorreu “por fora” e que o segundo foi feito a pedido do senador Flávio Bolsonaro como patrocínio.

A gravação não informa quanto teria sido investido no documentário sobre Lula. Uma reportagem da revista Veja atribuiu a Vorcaro o relato de um pagamento de R$ 30 milhões e afirmou que o tema teria sido incluído em uma proposta de delação. No entanto, advogados que participaram das negociações disseram que o assunto nunca virou um anexo específico da colaboração.

Na segunda proposta, segundo informações divulgadas sobre o documento, houve apenas uma menção breve ao filme de Lula, dentro do anexo sobre recursos destinados a “Dark Horse”. No fim do texto, Vorcaro teria citado patrocínios a produções sobre Lula e o ex-presidente Michel Temer, sem detalhar valores ou apontar irregularidades. As duas propostas de delação do banqueiro foram recusadas pelos investigadores.

Um dos advogados de Vorcaro, Daniel Bialski, confirmou que a voz do áudio é do cliente, mas disse não saber em que circunstâncias a gravação foi feita. Sérgio Leonardo, advogado que acompanha o banqueiro desde o início das investigações e das negociações de colaboração, afirmou em nota que não reconhece a autenticidade do material.

A PGR declarou que as propostas foram elaboradas pela defesa, sem que o órgão pedisse a inclusão ou a retirada de nomes. Investigadores disseram que alertaram os advogados de que os relatos deveriam vir acompanhados de elementos de corroboração — informações, documentos ou outros dados capazes de sustentar as afirmações. A PF afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo atribuído a ele nem entregou à instituição anexos, documentos ou informações com esse teor. Segundo a corporação, as propostas foram consideradas insuficientes e sem novidades.

O documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, foi produzido entre 2022 e 2023 e lançado em maio de 2024. Em mensagens do celular de Vorcaro examinadas pelos investigadores, não há referência a patrocínio da produção. Em uma conversa de outubro de 2022, o advogado Walfrido Warde enviou ao banqueiro fotos de uma entrevista que concedeu ao filme; Vorcaro respondeu apenas “Topppp”.

Flávio Bolsonaro declarou que não houve irregularidade no financiamento de “Dark Horse” e negou contrapartida relacionada ao fato de ser senador. Ele também acusou Lula de ter recebido propina pelo documentário, afirmação que não foi comprovada no áudio divulgado. A campanha de Lula pediu à PF que investigue o caso e faça perícia na gravação, alegando que uma eventual adulteração poderia configurar fraude processual ou outros crimes. A PF informou que encaminhou o pedido à área técnica para as providências cabíveis.

Fontes: Estadão

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