Aliados de Lula fazem ato em São Paulo para virar votos no 2º turno
Simone Tebet pediu que jovens de 16 a 18 anos e eleitores com mais de 70 voltem às urnas; Lula não participou da mobilização no Largo da Batata.
Resumo em 30 segundos
Aliados de Lula realizaram o “Ato da Virada” no Largo da Batata, em São Paulo, a 12 dias do segundo turno. Simone Tebet pediu mobilização de jovens e eleitores mais velhos, além de conversas com quem se absteve no primeiro turno. O ato também defendeu o fim da escala 6x1 e criticou propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram nesta terça-feira (13) o “Ato da Virada” no Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, para mobilizar eleitores a 12 dias do segundo turno presidencial. O evento reuniu, sob chuva, a ex-ministra Simone Tebet (MDB), o ex-ministro Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), parlamentares e representantes de movimentos sociais; Lula não participou e permaneceu em Brasília.
Em discurso, Tebet pediu que apoiadores busquem eleitores que não foram às urnas no primeiro turno, com atenção a jovens de 16 a 18 anos e pessoas com mais de 70. “Nós não precisamos mais de discursos. A única coisa que nós precisamos fazer é permanecer nas ruas até o dia da eleição e levar a juventude de 16 a 18 anos e os nossos pais e avós acima de 70 anos para votar”, afirmou. Ela disse que esses grupos podem contribuir para a vitória do presidente.
A campanha tenta reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que terminou o primeiro turno à frente de Lula. O senador obteve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do atual presidente. No primeiro levantamento Datafolha após a definição do segundo turno, Flávio aparece com 52% dos votos válidos e Lula, com 48%.
A mobilização também busca alcançar pessoas que se abstiveram: 33,4 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno, segundo a reportagem. Parlamentares e lideranças presentes defenderam conversas com quem deixou de comparecer, em vez de concentrar esforços apenas nos apoiadores já convencidos. O evento foi organizado pelo PT, com apoio do PC do B e do PV, que formam a federação Brasil da Esperança, e da federação PSOL-Rede.
O fim da jornada de trabalho conhecida como escala 6x1, em que o trabalhador tem seis dias de serviço para um de descanso, esteve entre os temas dos discursos. A proposta seria votada no Senado no dia seguinte ao ato, segundo os participantes. Parlamentares da campanha defenderam a medida e criticaram Flávio, que, de acordo com a cobertura do evento, declarou que votaria a favor dela. As falas também contestaram cortes de R$ 250 bilhões no Orçamento atribuídos às propostas do adversário.
Entre os presentes estavam deputados eleitos, como Erika Hilton (PSOL), Guilherme Cortez (PSOL), Natália Boulos (PSOL), Luna Zarattini (PT), Sâmia Bonfim (PSOL) e Eduardo Suplicy (PT). Cortez pediu que apoiadores atuem nas ruas e nas redes para conquistar votos. Luna Zarattini afirmou que a defesa dos trabalhadores e do fim da escala 6x1 é uma bandeira da campanha de Lula.
O ato ocorreu dois dias depois de uma manifestação pró-Lula na Avenida Paulista. No domingo (11), segundo relatos do evento, o presidente participou de uma mobilização no local. A campanha também procura atrair eleitores de candidaturas eliminadas no primeiro turno: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) declararam apoio a Flávio, enquanto Renan Santos (Missão) não havia se posicionado.
A disputa em São Paulo é estratégica por ser o maior colégio eleitoral do país. No estado, Flávio venceu o primeiro turno com 51,93%, contra 38,20% de Lula; na capital, o petista teve 46,58%, ante 42,13% do senador.
Para entender
- Escala 6x1
- É uma jornada em que o trabalhador trabalha seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. O debate sobre seu fim envolve mudanças nas regras de organização da jornada e do descanso semanal.