União Europeia reduz cota de aço importado sem tarifa adicional
A tarifa sobre o volume que exceder o limite anual sobe de 25% para 50%, enquanto o mecanismo de carbono também influencia as compras de aço.
Resumo em 30 segundos
O novo Regulamento Europeu do Aço limita a 18,3 milhões de toneladas anuais as importações sem tarifa adicional, cerca de 47% abaixo do volume de referência de 2024. O excedente passa a pagar tarifa de 50%. A medida ocorre em meio à queda das exportações europeias e a mudanças nas compras ligadas ao custo de carbono do aço importado.
A União Europeia reduziu a cota anual de aço que pode ser importada sem tarifa adicional e elevou a cobrança sobre volumes excedentes, numa tentativa de proteger a produção local diante da concorrência externa. O novo Regulamento Europeu do Aço entrou em vigor em julho e estabelece limite de 18,3 milhões de toneladas por ano, cerca de 47% abaixo do volume de referência de 2024; acima da cota, a tarifa passou de 25% para 50%.
A mudança ocorre em um mercado pressionado: as exportações europeias de aço recuaram 20% no primeiro semestre deste ano frente ao mesmo período de 2025. A produção no continente permanece em níveis historicamente baixos, enquanto a demanda deve ficar estável em 2026, segundo a Associação Europeia do Aço (Eurofer).
Além da concorrência internacional e do excesso de capacidade global, especialmente na China, siderúrgicas europeias enfrentam custos elevados de energia e de descarbonização. Desde janeiro, o Mecanismo de Ajustamento de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM, na sigla em inglês) também afeta o aço importado: o sistema acrescenta um custo relacionado às emissões geradas na fabricação, aproximando a cobrança daquela que recai sobre produtores do bloco.
O valor depende da intensidade de carbono do produto e dos dados fornecidos pelo fabricante, o que tornou a avaliação das emissões parte das decisões de compra. Empresas analisam não apenas o preço do aço, mas também o custo provável do mecanismo e a confiabilidade das informações. Fornecedores da Turquia, da Argélia e da Indonésia estão entre os avaliados de forma distinta por compradores, devido aos riscos associados ao CBAM.
Michael Lund, CEO da distribuidora dinamarquesa de aço inoxidável Damstahl, afirmou no Global CBAM Fórum, em maio, que o mecanismo se tornou um fator comercial que influencia preços, competitividade, relações com clientes e gestão de riscos. A empresa passou a incluir a intensidade de carbono nas decisões de compra e reforçou em contratos a responsabilidade pela precisão dos dados, disse Lund. Com isso, aço de menor emissão e informações verificáveis podem ganhar vantagem comercial.
O Parlamento Europeu já aprovou a extensão do mecanismo a produtos processados de aço e alumínio. A Eurometal, federação de distribuidores e processadores de metais, apoia a ampliação, mas considera que a lista ainda está incompleta. A entidade alerta para o risco de empresas transferirem etapas posteriores da produção para fora do bloco e importarem produtos acabados, que poderiam escapar de custos de carbono equivalentes.
A indústria automotiva acompanha a proposta. A Acea, associação que reúne grandes montadoras europeias, avalia que a extensão pode elevar despesas e burocracia antes de o sistema atual ser plenamente testado.
Para entender
- CBAM
- O Mecanismo de Ajustamento de Carbono na Fronteira da União Europeia atribui um custo às emissões geradas na fabricação de certos produtos importados. A medida busca aproximar esse custo do que produtores dentro do bloco pagam por suas emissões.