Supervisores da mina Escondida, no Chile, anunciam greve na quarta
Cerca de 1.000 trabalhadores rejeitaram a proposta da BHP após o fracasso da mediação do governo; ainda não se sabe se a paralisação afetará a produção.
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Cerca de 1.000 supervisores da mina Escondida, no Chile, anunciaram uma greve para quarta-feira, após rejeitar a proposta da BHP para um novo acordo coletivo. A paralisação foi definida depois que uma mediação conduzida pelo governo terminou sem acordo. Ainda não está claro se a greve interromperá a produção da maior mina de cobre do mundo.
Cerca de 1.000 supervisores da mina de cobre Escondida, no Chile, anunciaram que entrarão em greve nesta quarta-feira, após rejeitarem a proposta da BHP para um novo acordo coletivo. A paralisação foi definida depois que uma mediação conduzida pelo governo terminou sem acordo, informou o sindicato da categoria nesta terça-feira.
Os supervisores afirmam que a oferta da empresa não contemplou demandas que consideram essenciais, entre elas aumento salarial, bônus mensal de produção e benefícios pelo encerramento das negociações em valores compatíveis com o mercado. Em comunicado, o sindicato responsabilizou a BHP pelo impasse e chamou a proposta de “deficiente”. A empresa informou à AFP que não tinha comentários naquele momento sobre as negociações nem sobre a greve.
A paralisação ocorre em meio a preocupações com a segurança no setor de mineração chileno. Nas últimas semanas, morreram um trabalhador da Escondida, outro da mina Radomiro Tomic, no norte do país, e dois prestadores de serviço em um acidente na mina El Teniente, na região central.
Ainda não está claro se a greve dos supervisores interromperá a produção da Escondida. Um sindicato de operadores da mina, porém, alertou que seus integrantes também deixarão de trabalhar se não forem garantidas condições mínimas de segurança.
A Escondida fica no Deserto do Atacama e responde por cerca de um quarto da produção de cobre do Chile. É considerada a maior mina de cobre do mundo. Uma interrupção prolongada poderia afetar a oferta do metal, usado em setores como energia, inteligência artificial e defesa, e pressionar ainda mais a produção chilena, que em agosto caiu ao menor nível em 15 anos, em meio a tempestades e problemas operacionais.
A mina já foi palco de uma greve de 43 dias em 2017, que deixou o mercado internacional de cobre em alerta. A nova paralisação também acontece durante uma onda de conflitos trabalhistas no setor: na semana passada, trabalhadores da mina Centinela, no Atacama, iniciaram uma greve após rejeitar a última oferta da empresa durante uma negociação coletiva.
A BHP, companhia australiana responsável pela Escondida, negocia com o sindicato dos supervisores um novo contrato coletivo. Esse tipo de acordo estabelece condições de trabalho e remuneração para o grupo representado. O fracasso da mediação governamental encerrou essa etapa das conversas, mas as informações divulgadas não indicam se haverá novas negociações antes do início da greve.
Para entender
- Mina Escondida
- Localizada no Deserto do Atacama, no Chile, a Escondida é uma grande operação de mineração de cobre. O metal é usado em diversos setores, entre eles energia, tecnologia e defesa.
- Acordo coletivo
- É um instrumento negociado entre uma empresa e representantes dos trabalhadores que estabelece condições de trabalho e remuneração para o grupo abrangido.