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Domingo, 11 de outubro de 2026

Subway Takes leva entrevistas com celebridades às redes sociais

Andrew Garfield, Cate Blanchett e outros artistas participam de vídeos curtos gravados em Nova York, sem necessariamente divulgar seus próximos trabalhos.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Uma entrevista curta sendo gravada em uma estação de metrô de Nova York. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Uma entrevista curta sendo gravada em uma estação de metrô de Nova York.
Resumo em 30 segundos

Programas como Subway Takes, Track Star e Recess Therapy levam celebridades a conversas rápidas em metrôs, parques e ruas de Nova York. Os vídeos são planejados para circular em plataformas digitais e podem abordar opiniões e temas cotidianos, em vez de promover diretamente filmes, séries ou discos. O formato também inspira iniciativas na televisão e no streaming.

Andrew Garfield, Cate Blanchett e outras celebridades têm aparecido em entrevistas curtas gravadas no metrô, em parques e nas ruas de Nova York, em formatos feitos para redes sociais. Programas como Subway Takes, Track Star e Recess Therapy publicam episódios de poucos minutos, muitas vezes centrados em opiniões e conversas que não tratam dos trabalhos que os artistas estão divulgando.

A mudança altera o circuito tradicional de promoção de filmes, séries e discos. Em vez de se sentarem no sofá de um programa noturno de televisão, artistas participam de jogos, respondem a perguntas inesperadas ou defendem preferências pessoais em vídeos concebidos para circular no TikTok e no Instagram.

No Subway Takes, apresentado por Kareem Rahma, Garfield conversou sobre o que faz alguém ser um DJ de verdade. O ator disse que é necessário tocar músicas em discos de vinil, e Rahma concordou. O episódio dura de um a três minutos, embora o programa também publique versões mais longas, de até 20 minutos, no YouTube e no Spotify.

Em outra participação, no Track Star, Garfield ouviu trechos de músicas de Jeff Buckley, Fela Kuti e da banda Parcels. Em cerca de dois minutos, identificou as faixas e recordou momentos associados a elas, em conversa com o apresentador Jack Coyne. Já no Recess Therapy, Julian Shapiro-Barnum e três crianças perguntaram ao ator sobre seu sotaque britânico; a conversa foi condensada em 40 segundos.

Os episódios não mencionaram os filmes “A Revolta” e “Artificial”, que Garfield lança neste semestre. A lógica desses formatos é apresentar a celebridade em situações cotidianas e conversas breves, sem necessariamente transformar cada participação em propaganda direta de uma obra.

O Subway Takes foi indicado ao Emmy deste ano na categoria de série de comédia, drama ou variedades em versão mais curta. Rahma afirma que os cortes são parte central do formato: “A grande ideia é que não existe formato longo. O programa são os cortes”. Segundo ele, cerca de 5% dos convidados são estrelas, entre elas Garfield, Rosalía e Matt Damon; os demais buscam ganhar visibilidade na indústria.

A produção desses programas se concentra em Nova York, usada como um estúdio ao ar livre. A circulação de pessoas e a variedade de ambientes oferecem cenários para as gravações, enquanto as restrições para filmar são menores do que em Los Angeles, segundo a explicação apresentada sobre a escolha da cidade.

Além de Subway Takes, Track Star e Recess Therapy, há formatos como Blow My Mind, com entrevistas sobre ciência e história, Street Hearts, que organiza encontros às cegas, e Are You Okay, dedicado a segredos dos participantes. A diversidade de propostas mostra como entrevistas curtas podem adotar jogos e situações de rua, em vez da conversa convencional em estúdio.

A pesquisadora Issaaf Karhawi relaciona a tendência à padronização de conteúdos audiovisuais para plataformas digitais. As produções são planejadas para gerar cortes, engajamento e consumo rápido. Ela chama esse comportamento de “consumo sob medida”: nas redes, cada pessoa assiste quando quer, ao contrário da televisão, que organiza programas em horários fixos.

O professor Vicente Gosciola, da Universidade Anhembi Morumbi, afirma que o excesso de informação favorece uma busca mais específica por conteúdos. Ele descreve os vídeos como “micro talk shows”, capazes de concentrar em segundos uma opinião que poderia render uma entrevista extensa. Uma participação de Cate Blanchett no Subway Takes, por exemplo, mostra a atriz explicando por que detesta sopradores de folhas, sem abordar seus próximos trabalhos.

A aparência de espontaneidade também contribui para aproximar as celebridades do público. Para Karhawi, cenas que parecem casuais criam uma sensação de proximidade, embora haja uma equipe por trás da produção. Gosciola diz que a presença de artistas em situações comuns os transforma de entrevistados em pessoas que defendem argumentos sobre temas cotidianos.

Os formatos digitais não necessariamente disputam o mesmo espaço dos talk shows de televisão. Rahma disse à revista Vanity Fair que os vídeos podem ser vistos em diferentes horários e em recortes variados: “Não estamos todos competindo pelo mesmo maldito horário”. A publicação afirmou em fevereiro que o talk show continua ativo, mas encontrou espaço na internet.

A televisão e o streaming também incorporam vídeos curtos. O The Tonight Show, de Jimmy Fallon, lançou uma série inspirada em microdramas, enquanto a Netflix firmou acordos com grupos de mídia, como a Condé Nast, para exibir programas verticais. No Brasil, entrevistas para as redes aparecem com frequência em cortes de podcasts como Podpah e Flow.

A expansão acontece em meio à tensão envolvendo programas noturnos dos Estados Unidos. Neste ano, Donald Trump voltou a criticar apresentadores como Jimmy Kimmel, Fallon e Seth Meyers e ampliou exigências para emissoras da TV aberta. Os programas de Instagram e TikTok, por sua vez, não dependem da mesma estrutura de licenciamento da televisão.

Para entender

Subway Takes
Programa apresentado por Kareem Rahma em que convidados defendem opiniões ou preferências em conversas gravadas em locais públicos. Os episódios curtos são publicados nas redes sociais, e há versões mais longas disponíveis em plataformas digitais.
Micro talk show
Formato de entrevista ou conversa pensado para concentrar uma ideia, opinião ou troca em poucos minutos ou segundos. Em geral, é produzido para consumo sob demanda e para circular em recortes nas plataformas digitais.

Fontes: Folha de S.Paulo

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